Centros de Aconselhamento com ‘nova roupagem’ em Dezembro

O Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU) projecta a implementação do primeiro Centro Integrado de Aconselhamento à Família e Atendimento à Vítima de Violência (CIAFAV), no Huambo, em Dezembro, de formas a evitar novas formas de vitimização.

A informação avançada por Sónia Doutel, directora Nacional dos Direitos da Mulher, Igualdade e Equidade de Género, do MASFAMU, durante a oficina sobre violência, destinada aos jornalistas, ontem, em Luanda, dá conta de uma ‘nova roupagem’ aos centros de aconselhamento. Com a ideia de fazer com que os Centros de Aconselhamento não tenham a carga negativa que muitas vezes têm, que quando a vítima faz a queixa há muita dor e falta de perspectivas associadas a isso. O CIAFAV dará atendimento especializado às vítimas, com especialistas, que receberão formação, das áreas da polícia, justiça e saúde. Está-se, com isso, a melhorar os centros de aconselhamento, para que as vítimas tratem questões para além da violência.

Caso as vítimas de agressões, por exemplo, não tenham os filhos registados, este centro integrado poderá tratar de registar os meninos; se a mãe não tiver escolaridade, terá a oportunidade de receber aulas de alfabetização. O centro dará respostas do ponto da vista de formação e emprego, e não apenas aconselhamento. Muitas vezes, as vítimas permanecem na situação de violência porque não têm outra alternativa, principalmente as mulheres, segundo Doutel, por isso, estes centros trarão uma nova forma de ver este problema. “Vamos também ministrar cursos e palestras nestes mesmos centros, que são pensados quer para mulheres quer para homens. A ideia é que a sociedade veja este local também como algo de reabilitação moral e da família”, reforça.

Huambo será contemplado com o 1º CIAFAV

O primeiro centro de referência a ser inaugurado está no Huambo, e o MASFAMU trabalha no sentido de que isto venha a acontecer em princípios do mês de Dezembro. Terá um quintal grande, que servirá de horta para plantações, Actualmente, os centros de aconselhamento estão nas administrações municipais, pelo que alguns poderão ser ampliados, no sentido de se adaptar em estes serviços, enquanto outras que já têm um espaço considerável serão apenas adaptadas. A ideia é que tenha neste sítio, para além dos profissionais do ministério de tutela, a Polícia, a Justiça e a Saúde, para evitar a revitimização da vítima.

O CIAFAV não vai substituir os centros já existentes, pelo que irá melhorar o atendimento, de acordo com a entrevistada. Tem-se feito um grande trabalho, no sentido de não se registar, por exemplo, casos alarmantes de mulheres que ficam nas 10 casas de abrigo que o país tem, pertencentes ao MASFAMU e à OMA. “A primeira tarefa de um conselheiro é tentar a mediação e muitas vezes tem resultado em acordo, daí que nós não temos casos alarmantes de permanência nas casas de abrigo. A última solicitação que tivemos para a casa de abrigo foi há cerca de um ano e meio. Um caso apenas”, recorda.

Violência baseada no género será debatida

Por outro lado, a directora chama atenção quanto a necessidade de igualdade e equidade no sociedade género, pois é um aspecto que pode ajudar no desenvolvimento sustentável do país e do mundo. “Não pensarmos que apenas o homem deve dar continuidade aos estudos, para no futuro vir a trabalhar e trazer comida para casa, enquanto a mulher deve ficar em casa a cuidar dos irmãos”, exemplifica. Os jornalistas tiveram esta oficina sobre violência como antecâmara da Conferência sobre Violência baseada no Género, que o Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, em parceria com a Fundação Sagrada Esperança, realizará nos dias 28 e 29 de Novembro. A Conferência sobre Violência Baseada no Género tem como objectivo reflectir sobre as diversas formas de violência contra a mulher, com vista a melhorar a condição de vida das famílias, através de políticas e programas que privilegiem o combate à violência baseada no género, a moralização das famílias e da sociedade.