Sonangol precisa se endividar em mais de USD 3.600 milhões até 2020

A Sonangol precisa de endividar-se em 3.600 milhões de dólares (3.160 milhões de euros) até 2020. Além disso, até Setembro, as receitas da empresa mais do que duplicaram face a todo o ano de 2016, segundo o Observador.

A Sonangol precisa de endividar- se em 3.600 milhões de dólares (3.160 milhões de euros) até 2020, dos quais 1.500 milhões de dólares (1.316 milhões de euros) já até Dezembro, segundo dados divulgados ontem Sexta-feira pela petrolífera estatal. De acordo com uma apresentação disponibilizada esta Sexta-feira, com o balanço de actividades e perspectivas da petrolífera, este montante visa garantir as operações da Sonangol em curso e novos investimentos na área da produção de petróleo e derivados. Destas necessidades de financiamento, 1.000 milhões de dólares (877 milhões de euros) terão de ser garantidos até Junho de 2019 e 1.100 milhões de dólares (965 milhões de euros) até 2020, elevando o pico do custo do serviço da dívida da Sonangol (incluindo este novo endividamento a realizar a três anos) a 1.947 milhões de dólares (1.708 milhões de euros) em 2020.

Actualmente, a dívida total da Sonangol, segundo o mesmo documento, ronda os 3.745 milhões de dólares (3.287 milhões de euros), depois de ter atingido um pico de 9.909 milhões de dólares (8.695 milhões de euros) em 2016, ano em que Isabel dos Santos assumiu o cargo de presidente do conselho de administração, nomeada pelo Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos. Para este ano, a administração liderada desde Novembro de 2017 por Carlos Saturnino aponta para um serviço da dívida que vai custar 1.510 milhões de dólares (1.325 milhões de euros) à petrolífera estatal angolana, que sobe para 1.827 milhões de dólares (1.603 milhões de euros) em 2019. Apenas em 2023 o serviço da dívida da Sonangol ficará abaixo do patamar anual dos 1.000 milhões de dólares, cifrando-se, ainda assim, nos 993 milhões de dólares (871 milhões de euros).

Na lista dos investimentos da Sonangol está a exploração de recursos adicionais a campos petrolíferos já existentes e o desenvolvimento de campos marginais, o aumento das actividades prévias à prospecção, como o aumento dos levantamentos da actividade sísmica, para 18.900 quilómetros nos próximos três anos, nomeadamente na bacia do Namibe, sul do país, uma nova área a explorar para a produção de crude. Também está prevista a perfuração de 11 novos poços de pesquisa e quatro de avaliação, nos próximos três anos, entre outras operações que visam travar a quebra na produção de petróleo e das reservas angolanas, provocada nomeadamente pelo declínio dos campos activos.

Acrescem os investimentos para a construção das novas refinarias em Cabinda e Lobito, em Benguela, e os trabalhos de modernização a realizar em parceria com a petrolífera italiana ENI na refinaria de Luanda, e para aproveitamento das reservas de gás natural do país. Em 2018, a petrolífera estatal estima que Angola produzirá uma média de 1,524 milhões de barris de crude por dia, dos quais 225 mil barris diários garantidos pela própria Sonangol. Essa previsão melhora para 1,572 milhões de barris por dia (260 mil da Sonangol) em 2019 e chega aos 1,577 milhões de barris (289 mil da Sonangol) por dia em 2020, antes de registar uma quebra no ano seguinte, para 1,567 milhões de barris (mantendo-se a Sonangol nos 289 mil barris). A produção petrolífera só deverá disparar a partir de 2023, chegando aos 1,655 milhões de barris por dia, dos quais 304 mil garantidos pela própria Sonangol.

Receitas da Sonangol mais do que duplicaram até Setembro face a todo o ano de 2016

As receitas da Sonangol subiram este ano para os 28.906 milhões de dólares (25.300 milhões de euros), só até Setembro, mais do dobro de todo o ano de 2016, segundo dados divulgados esta Sexta-feira pela petrolífera estatal angolana. A informação consta de uma apresentação disponibilizada esta Sexta-feira com o balanço de actividades e perspectivas da petrolífera e reflecte essencialmente a forte subida da cotação do barril de crude no mercado internacional ao longo do ano. Em 2018, o preço do barril de petróleo chegou aos 80 dólares, por contraste com os valores mínimos, de cerca de 30 dólares, em 2016. Nesse ano, segundo a informação desta Sexta- feira, a Sonangol teve receitas de 14.949 milhões de dólares (13.100 milhões de euros), que subiram para 17.488 milhões de dólares (15.200 milhões de euros) em 2017.

Em Setembro, a dívida total da petrolífera, liderada há um ano por Carlos Saturnino, após a exoneração de Isabel dos Santos do cargo de presidente do conselho de administração, a dívida da Sonangol era de 2.650 milhões de dólares (2.300 milhões de euros). Segundo os mesmos dados, Angola produziu em média 1,722 milhões de barris de petróleo por dia em 2016, volume que desceu para 1,632 milhões de barris em 2017 e para uma média de 1,492 milhões de barris em 2018 (até Setembro). Trata- se de uma quebra de mais de 220 mil barris de crude por dia em dois anos, devido ao declínio de alguns campos e a problemas operacionais decorrentes da falta de investimento. A exportação de petróleo bruto atingiu os 10.963 milhões de dólares (9.600 milhões de euros) até Setembro, contra os 10.735 milhões de dólares (9.400 milhões de euros) de 2017 e os 8.509 milhões de dólares (7.400 milhões de euros) em 2016.

“Apesar da duplicação dos preços [da cotação internacional] do petróleo, a receita do petróleo no país permanece inalterada em 2017 e 2018, pouco menos de 11 bi$/ano [11.000 milhões de dólares]”, escreveu esta Sexta-feira, no rede Twitter, a empresária Isabel dos Santos, entre 2016 e 2017 liderou a Sonangol. Informações e privacidade no Twitter O relatório de ontem refere ainda que a petrolífera tinha em dívida, em Agosto, 1.663 milhões de dólares (1.400 milhões de euros) de “cash calls” – fundos que as petrolíferas associadas num mesmo bloco têm de garantir para a realização de investimentos nos campos de produção -, apesar de ter liquidado, só este ano, um total de 2.193 milhões de dólares (1.900 milhões de euros). No final de 2017, a Sonangol tinha em dívida às restantes petrolíferas que operam em Angola, em “cash calls”, 1.950 milhões de dólares (1.700 milhões de euros). As dívidas acumulam-se igualmente nos derivados, sobretudo de importação, como gasolina e gasóleo, apesar de o país ser o segundo maior produtor de petróleo em África. Até Agosto, a Sonangol tinha em dívida a fornecedores 1.149 milhões de dólares (1.000 milhões de euros), apesar de já ter feito pagamentos, durante este ano, de 1.335 milhões de dólares (1.100 milhões de euros).