Enfermeiros de Kicabo cobram salários de sete meses de 2017

Estão conscientes de terem sido contratados sob regime de colaboração, mas não entendem por que razão receberam apenas pagamento nos meses de Janeiro, Fevereiro, Março e Dezembro

Por: Alberto Bambi

Quando em 2014 entraram para o quadro do pessoal de trabalhadores do centro médico da comuna de Kicabo, município do Dande, provincia do Bengo, por via da repartição municipal de Saúde, foi sob regime de colaboração, segundo atesta Manuel Caros Francisco Adão, um dos quatro enfermeiros que reclamam salários de sete meses, referentes a 2017, além de ter revelado também que este ano ainda não receberam nada. “Nós trabalhámos o ano todo de 2017 e só recebemos salários dos meses de Janeiro, Fevereiro e Março.

Manuel Adão adiantou que, no primeiro ano de trabalho, auferia um vencimento de 38 mil Kwanzas, que no ano a seguir passou a ter um desconto mensal de dois mil, alegados como contribuição para a segurança social, uma cifra que, de acordo com o interlocutor de O PAÍS, não tinha razão de ser, atendendo a diferença salarial dos funcionários.

A ele inquietava mais o facto de a medida  dos descontos ter surgido apenas no mandato do actual responsável das finanças da repartição municipal do Dande, a quem trata por Coque dos Santos. Aliás, disse ter sido desta entidade do Governo que receberam um documento que formalizava o seu contrato, através de uma empresa denominada MATESANTOS Limitada, pertencente à pessoa em causa, segundo os reclamantes.

Esse documento qualifica os queixosos como prestadores de serviços de enfermagem e é datado de 1 de Janeiro de 2016, conforme constatou a reportagem deste jornal. Ao explicar a mesma declaração, Manuel Adão revelou que este documento só chegou à mão dos enfermeiros em 2017, aquando das primeiras reivindicações feitas por essa classe restrita aos superiores hierárquicos do sector.

“O mais agravante é que este contrato, e o único que recebemos da MATESANTOS, é de apenas quatro meses, ou seja, de Janeiro a Abril de 2017, mas o curioso é que chegamos a receber um ordenado em Dezembro deste ano”, referiu Manuel Adão, desconfiando de algumas manobras por parte dessa empresa que presta serviço à repartição municipal de Saúde do Dande. Para Adelino Francisco Afonso, outro enfermeiro de Kicabo nessa situação, os contratos que receberam no calor da reclamação revelam o jogo que a MATE SANTOS tem com a repartição municipal de Saúde do Dande – Caxito (Bengo).

“Porque durante o período de 2014 e 2016 ouvimos quase sempre a promessa de virmos a ser enquadrados no Ministério da Saúde, mas isso nunca aconteceu”, desabafou Adelino Afonso que vê nos concursos públicos do sector uma oportunidade para dar continuidade da profissão que um dia ousou escolher. Os enfermeiros inscreveramse no recente concurso do Ministério da Saúde e teriam feito a prova de admissão no Sábado, 17, mas o teste foi adiado para Terçafeira desta semana.

“Somos os que mais trabalhamos” Manuel Adão e Adelino Afonso compõem um quarteto com Adão Carlos Francisco Manuel e Lídia Mufunji Pedro Cassule e alegaram que a maior parte do trabalho no centro médico de Kicabo é desempenhado por si, principalmente os mais pesados, pois a par destes estão alguns auxiliares de limpeza. “Nós somos os que mais trabalhamos aqui no centro, porque acabamos por fazer um pouco de tudo. No sector da maternidade, temos alguns meios em falta, há vezes que nos falta até luvas para fazer os partos e outras em que temos de carregar os pacientes até às salas”, disseram os enfermeiros.

Os ressentidos louvam o facto de o administrador do centro ser uma pessoa incansável no que ao encaminhamento e questionamento sobre a sua situação diz respeito, entretanto reconhecem que a solução está fora de sua alçada.

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