escola de seis salas com mais de 500 crianças no bairro Fortim

Os moradores do bairro Fortim, no distrito urbano do Sequele, passam por várias dificuldades, desde a falta de água, energia eléctrica, hospitais, até à falta de escolas. A comunidade conta apenas com uma Escola Primária que acolhe mais de 500 crianças, pelo que, findo este nível ensino são obrigados a percorrer 8 quilómetros para dar continuidade aos estudos

Texto de: Rufina Lucamba e Gilberto Gongo fotos de Lito Cahongolo

Para quem vai à Vila da Funda, o bairro Fortim fica no lado direito. Com apenas uma Escola do Iº Ciclo do Ensino Primário, os moradores clamam por mais infra-estruturas do ensino, reabilitação das estradas, água potável, hospital e saneamento básico. É um bairro que consideram ter sido esquecido pelos governantes desta província, mas no qual a população tende a crescer.

As principais actividades de subsistência desta comunidade são a pesca e agricultura, e grande parte dos produtos que saem destas são vendidos nos mercados de Luanda. Com as dificuldades que enfrentam, vêem muitos dos seus anseios sob risco de não serem concretizados. O ensino na comunidade vai da iniciação à 6ª Classe, na única escola de raiz construída pela comunidade, com apenas seis salas.

O recinto alberga 520 alunos, que, depois de concluírem a 6ª classe, serão forçados a percorrer 8 quilómetros por dia, até à Vila da Funda, para dar continuidade à formação académica. Nem todas as crianças conseguem uma vaga na referida escola, facto que tem contribuído para o elevado número destas fora do sistema de ensino. Entretanto, para não perderem o ano, os pais destas crianças procuram colocá-las numa explicação, das várias que comporta o bairro.

Além destes transtornos que os encarregados de educação têm tido, devido à falta de escola, muitos dos educandos ponderam desistir devido à distância que se encontra a alternativa, já que nem todas as famílias conseguem pagar o transporte com o dinheiro que arrecadam da venda de produtos hortícolas, como explica Teolano Kiala Mpanzo, chefe do sector número cinco do bairro Fortim.

O cidadão reconhece que os moradores enfrentam realmente muitas dificuldades sociais e passam por contínuas carências de água potável, de escolas públicas, de alimentos, bem como falta de medicamentos no hospital do bairro, que conta com uma área para doentes de hanseníase, doença popularmente conhecida por lepra.

Falta de autocarros dificulta os alunos

O coordenador do bairro, Domingos Paulo, também confirmou a OPAÍS que existem muitas crianças fora do sistema de ensino, além de, nos últimos anos, o bairro estar a sofrer alterações de reassentamento, com muitas famílias a virem das zonas de risco dos vários pontos do Município de Cacuaco.

A falta de autocarros públicos condiciona a deslocação dos alunos que finalizam a 6ª classe,.aumentando assim, o baixo nível de escolaridade do bairro e contribuindo para o fraco desenvolvimento do país. “A comunidade necessita de infraestrutura e os moradores clamam por mais escola do Iº e IIº ciclo para anteder à grande demanda da comunidade”, acrescentou.

Mais de três mil famílias com ‘sede’ de água potável
A escassez de água é outro problema no bairro Fortim, pois a população não tem acesso à água potável e a alternativa, muitas vezes, tem sido a água tirada do Rio Zenza, que é comercializada a 250 Kz, um balde de 100 litros. Mesmo assim, esta água proveniente do rio não tem servido para todos, dado o número de famílias que ali habitam, um total de três mil e 883.

Assim, todos os dias tem sido uma luta para aqueles moradores conseguirem um pouco de água para o consumo doméstico, mesmo sabendo que a água que lhes tem sido vendida não é potável e colocam a sua saúde em risco.

Apesar de o bairro ter um centro de distribuição e tratamento deste importante bem, pertencente à EPAL, os moradores não o vêem a funcionar há dois anos. Não funciona também o chafariz, que ainda não foi concluído, bem como as ligações domiciliares.

Nas ruas principais do bairro é notório o clamor das pessoas que deixam nas suas portas, baldes, bacias, bidões e banheiras na esperança de conseguirem um pouco deste líquido, cuja distribuição é garantida por camiõescisterna.

A água retirada do rio, sem passar por nenhum processo de tratamento, chega às mãos dos consumidores completamente turva e alguns destes procuram tratá-la com lixívia, de forma a evitar doenças. De acordo com Laurinda Henda, moradora do bairro há 17 anos, “precisamos urgentemente de água potável, pois mesmo a não potável que consumimos não chega para todos”.

Os comerciantes cobram por balde e banheiras, segundo a moradora Senga de Sousa, e os mesmos só distribuem a água duas vezes por semana. Desde o ano passado que a Administração local informou que iriam colocar chafarizes, mas até ao momento o sofrimento continua. Segundo a mesma, a água consumida tem causado muitas doenças como a diarreia mal-estar como e os vómitos.

O bairro conta apenas com um hospital que atende toda a comunidade e precisa, todos os dias, de reabastecimento de medicamentos.