Marcha contra a “Operação Resgate” termina com detenções

A Polícia concentrou- se, de forma a prevenir de qualquer movimento estranho, com efectivos da PIR , Brigada Canina e agentes que patrulham de motorizada, ao longo de todo o perímetro da Mutamba e nas entradas que dão acesso ao Palácio Presidencial, que seria o destino dos manifestantes

Texto de: Milton Manaça

Dezenas de jovens marcharam, no último Sábado, no centro da cidade de Luanda em jeito de protesto e solidariedade às zungueiras que consideram ser a franja da sociedade angolana mais atingida pela “Operação Resgate”. A manifestação, que durante o seu percurso registou confrontos entre os jovens e as forças da ordem, registandose algumas detenções, começou no Largo 1º de Maio, às 10h, e duas horas depois chegou à Mutamba, mas propriamente ao Largo do Lumeje, com o objectivo de se posicionarem ao pé do Palácio Presidencial. Um dos episódios que chamou a atenção dos que acompanhavam a marcha deu-se quando um sub-inspector da Polícia deteve um jovem que circulava nas imediações do Centro Cultural Chá de Caxinde vendendo água e pretendia encaminhà-lo para um dos patrulheiros.

Diante deste cenário, os manifestantes de imediato partiram para cima do agente da ordem, tendo gerado uma confusão entre os polícias e o grupo de jovens, o que resultou nalgumas detenções por parte destes. A Polícia concentrou-se principalmente nas entradas que dão acesso ao Palácio Presidencial com efectivos da PIR, Brigada Canina e agentes que patrulham o perímetro da Mutamba de motorizadas, a fim de se prevenir e evitar qualquer movimento estranho.

Atacar as consequências Os auto-designados revolucionários dizem que a “Operação Resgate” está a atacar as consequências e não as causas dos problemas e enfatizam que se decretou um combate cerrado aos pobres e não à pobreza. Outro aspecto que António Francisco Mupinde, um dos organizadores da manifestação, considera injusto prendese com o facto de não se ter dado um tempo para que todos os sectores que estão a sofrer com a “Operação Resgate” se organizassem. “Eles conseguiram dar um prazo para aqueles que roubaram o país trazerem de volta o dinheiro. Não deviam fazer o mesmo para que as nossas mães zungueiras e os cantineiros se organizassem?”, questionou, tendo acrescentado que “este trabalho deveria estar sob alçada das administrações e não da Polícia”.

O jovem de 30 anos de idade disse a OPAÍS que as zungueiras passaram a ser tratadas como criminosas por saírem à rua à procura de sustento, razão esta que levou os jovens a organizar a marcha, de forma a chamar à razão os alegados “erros que as autoridades cometem”. “O esforço das nossas zungueiras e vendedores ambulantes, que sustentam as suas famílias com essa actividade, tem sido banalizado pelo nosso Governo”, disse outro manifestante, que se identificou como Matadi Mandombe.

Para ele, não há reconhecimento do esforço que as camadas mais baixas têm feito para se sustentarem, mesmo estando no desemprego, e apelam ao bom senso das autoridades. Na apresentação formal da “Operação Resgate”, a 30 de Outubro, o ministro do Interior, Ângelo de Veiga Tavares, explicou que o principal objectivo é resgatar a autoridade do Estado com o propósito de se criar condições que permitam aos angolanos viver em melhores condições de urbanidade.

A operação, segundo as autoridades, visa acabar com a venda informal de peças sobressalentes de viaturas e de “cartões Sim” na rua, acabar com mercados informais, como oficinas e armazéns ao longo dos principais eixos viários e os mercados informais nas pedonais e passagens aéreas. O combate à criminalidade e ao auxílio à imigração ilegal, assim como a obtenção fraudulenta de documentos nacionais, exercício ilegal de medicina e de actividades religiosas é outro eixo da operação.