Carta do leitor: As incongruências de uma governação

Quem circula por Luanda nos últimos dias já deve ter notado o ressurgimento de enormes quantidades de lixo em áreas urbanas e periféricas. Até mesmo as conhecidas centralidades, como o Kilamba e o sequele, também estão apinhadas de lixo, desconhecendo-se se este retorno é por muito tempo ou algo passageiro. Na verdade, no rol de incongruências governativas que vimos assistindo há vários anos, desde o tempo ainda da outra senhora, em que o titular do Executivo era o então presidente josé Eduardo dos santos, a questão do lixo tem sido um enorme quebra-cabeças em Luanda, tendo causado inclusive o afastamento do ex-governador simão Paulo, que veio a falecer este ano em Benguela. o inconcebível é que, não obstante o problema em si, cada um dos governadores que entra inventa um modelo de recolha e de limpeza na cidade capital. Mas, a grande verdade é que também os próprios responsáveis do Governo Provincial de Luanda e de outros departamentos ministeriais acabam por ser os que mais lucram com estas engenharias, porque alguns deles são sócios ou possuem interesses nas empresas que limpam determinadas zonas. o mais caricato nos últimos dias é que se fala numa dívida astronómica, razão pela qual algumas companhias cruzaram os braços. sabe-se que muitos dos cidadãos em Luanda são obrigados a pagar uma tarifa pelo lixo, alguns dos quais indexados já na factura da energia ou da água que mensalmente recebem. quero acreditar que, se calhar, muitos dos citadinos não honram com este expediente, mas sendo a água e a energia um bem imprescindível, é mais justo que honrem mesmo, mas que estas verbas estejam a navegar noutros mares. É preciso algum cuidado. se durante algum tempo era o Executivo que suportava, por si só, as despesas em relação à limpeza, os tempos mudaram e é necessário que se preste contas. Não se pode fazer de conta que os tempos não mudaram.

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