Técnicos nacionais passam a ser reconhecidos com carteiras profissionais

A atribuição de carteira vai contribuir para a valorização do exercício das profissões e da mão-de-obra nacional, facilitando assim a sua absorção no mercado de trabalho

Os técnicos formados pelo sistema nacional de formação profissional, nas mais diversas áreas de actividade, passarão a dispor de carteiras profissionais, de forma a serem reconhecidos e facilmente absorvidos pelo mercado de trabalho, augura o ministro da Administra Pública, Trabalho e Segurança Social, Jesus Faria Maiato. Segundo o governante, a atribuição da carteira profissional faz parte de um conjunto de medidas elaboradas dentro do plano de acção do emprego e formação profissional, onde estão definidos os programas que vão permitir materializar as acções do Plano Nacional de Desenvolvimento 2018-2022.

No entender do dirigente, a atribuição da carteira vai contribuir para a valorização do exercício das profissões mediante o sistema de reconhecimento, validação e certificação da competência da mão-de obra-nacional. Jesus Faria Maiato, que falava em Malanje à margem da inauguração da Escola Cidadela Jovens de Sucesso, em articulação com os programas de formação profissional, disse que o Estado, por via do MAPTESS, tem vindo a implementar políticas activas de emprego onde se destacam os programas de fomento ao auto-emprego, micro-crédito e a formalização das actividades informais. Neste sentido, o responsável deu a conhecer que dentre 2010 e 2018 foram capacitados 87 mil e cento e setenta e seis jovens, nos domínios do empreendedorismo e gestão básica de negócios.

Deste total, 17 mil e 560 beneficiaram do programa de micro-crédito, em montantes que variam entre mil a cinco mil dólares (equivalente em Kwanzas). No mesmo período, no âmbito do programa de fomento ao auto- emprego, Jesus Maiato falou da concepção de apoios a 42mil e 551 jovens, dentre formandos, estudantes finalistas do ensino médio e superior, camponeses, desempregados, vendedores e ex-militares. “O nosso grande desafio é continuar a implementar estas medidas. Para tal elaboramos o plano de acção do emprego e formação profissional onde estão definidos os projectos e programas que nos vão permitir materializar as grandes linhas contidas no plano nacional de desenvolvimento”, frisou.

Para os próximos tempos, Jesus Faria Maiato disse que o seu ministério vai continuar a apostar na revitalização, expansão e modernização dos centros de formação profissional, visando dotá-los de ferramentas essenciais para o cumprimento cabal da sua missão, que é de garantir oportunidade de formação aos cidadãos, sobretudo jovens carenciados. Neste sentido, o governante frisou que o Executivo continuará a apostar na construção das Escolas Jovens de Sucesso que actualmente já somam seis unidades implementadas em áreas rurais das províncias de Cabinda, Luanda, Bengo, Moxico, Namibe e agora em Malanje. Nesta última, a unidade foi construída no município de Mucari, na vila sede de Caculama, a 45 quilómetros da capital da província de Malanje.

Oportunidade aos mais vulneráveis

Com a abertura da Escola Cidadela Jovem de Sucesso de Caculama, o sistema nacional de formação profissional passa a contar com 143 unidades formativas, elevando para 68mil o número de formandos anualmente dentro do programa. A Escola tem, neste momento, mais de 60 alunos inscritos para o círculo formativo 2019/2021. Na sua maioria são jovens e adolescentes, dos 14 aos 20 anos de idade, de famílias vulneráveis, em regime de externato, que encontraram naquele espaço a oportunidade de formação profissional e garantia do futuro nas mais diversas áreas do saber, dentre as quais a carpintaria, electricidade, informática, serralharia, construção civil e agricultura. Para o governador da província de Malanje, Norberto dos Santos, a escola vai mudar a vida dos jovens de Caculama que ainda enfrentam dificuldades no que a oportunidades de formação e emprego diz respeito.

É o caso de Eduardo Pedro, 16 anos de idade, residente no Bulo. O adolescente, de família com dificuldades sociais, encontrou naquele espaço a oportunidade de sonhar com um futuro melhor. “Inscrevi-me no curso de electricidade. E o meu sonho é poder sair daqui formado e ajudar não só a minha família, mas também a comunidade no geral”, frisou o menor. No mesmo diapasão alinhou Madalena Dulo, proveniente do bairro Cagiza. A menina vai cursar electricidade também e mostrou-se satisfeita com a construção do espaço que, no seu entender, vai “salvar” muitos adolescentes de condutas impróprias. “Agora, ao invés de nos dedicarmos às coisas sem importância, vamos construir aqui o nosso futuro. Seremos adultos responsáveis e formados, basta que cada um de nós se empenhe”, notou.