Abandono ao tratamento preocupa campanha de transmissão vertical

O programa tem à testa a criação de uma base de dados personalizada, de modo a evitar que os profissionais de uma unidade hospitalar tenham informação disponível do estado serológico das grávidas

O secretário de Estado da Saúde, José Vieira Dias Cunha, considerou que o abandono do tratamento por parte de algumas mulheres grávidas seropositivas constitui uma preocupação dos responsáveis da Campanha de Corte de Transmissão Vertical do HIV/SIDA, pelo facto de adiar ou anular um processo que podia garantir o nascimento saudável do novo ser. “É preocupante que uma gestante infectada com o vírus VIH abandone o acompanhamento e tratamento, ao ponto de com-prometer o seu próprio filho, eu não quero acreditar nisso, mas existe o caso e nós temos a responsabilidade de localizar essas pessoas”, declarou o secretário de Estado, tendo acrescentado que havia outras que, consciente da doença, iam a um posto ou centro de Saúde, mas não faziam referência sobre o seu estado serológico.

José Cunha reconheceu que tal situação ocorre porque o sector não possui um sistema de informação eficiente. “Mas agora está a implementar-se um mecanismo do género ao nível de todas as províncias do país, um sistema que já faz referência ao nome da pessoa registada, a fim de se evitar que uma mulher marque presença em diferentes unidades hospitalares e seja sempre cadastrada como um caso novo em cada estabelecimento de saúde” detalhou o dirigente, acrescentando que a ideia é criar uma base de dados nacional.

Asseverou que uma mulher grávida não tem como escapar do teste de HIV-SIDA, visto que, durante, as consultas pré-natais ela é submetida a essa análise que está integrada no leque de exames recomendados a essa classe. Os considerados grupos ou população de risco mereceram atenção na abordagem do secretário de Estado, que qualificou os prisioneiros, as trabalhadoras de sexo, os camionistas e as pessoas que se relacionam sexualmente com outras do mesmo género como a classe indicada para fazerem o teste regularmente. Neste diapasão, o líder não deixou de parte os usuários de drogas.

Reduzir a mortalidade Apesar de a campanha ter o objectivo de reduzir a transmissão da doença de mãe para filho, José Vieira Dias Cunha não escondeu o propósito colateral de diminuir a mortalidade. De acordo com o responsável, há que se ter em conta« conceitos que serão usados com maior frequência, durante a campanha, nomeadamente prevalência e incidência, cujos sentidos no contexto da Prevenção de Transmissão de VIH-SIDA (PTV) foram aconselhados a reter. “Enquanto a incidência tem a ver com a soma de casos novos, a prevalência refere-se a casos novos e antigos”, esclareceu José Cunha, para quem a primazia deve recair para a redução da incidência.

Noventa, noventa, noventa

Constitui uma das palavras de ordem do programa que vai procurar garantir que as crianças nasçam livres da considerada doença do século e que os seropositivos tenham uma vida saudável. Aliás, na ocasião da conferência de imprensa realizada Terça- feira desta semana, para se esclarecerem alguns pormenores do funcionamento da Campanha Nascer Livre para Brilhar ficou bem patente o interesse de se aumentarem os serviços de saúde para assistência e tratamento dos padecentes do Vírus do VIH-SIDA. A designação noventa, noventa, noventa, encerra três metas a serem atingidas até 2020, designadamente, o registo de 90 por cento da população que não sabe da doença, igual percentagem para se oferecer e assistir com retrovirais, bem como outros 90 por cento de meta de pessoas em tratamento com o supressão