Antigo PR nega ter esvaziado cofres do Estado

O antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, negou ontem, em Luanda, ter deixado vazio os cofres do Estado, quando deixou o poder, refutando declarações do seu sucessor João Lourenço

José Eduardo dos Santos fez esta afirmação numa declaração à imprensa nacional e internacional, esta Quarta-feira, quando falava sobre a sua governação de 38 anos e a gestão da coisa pública. Recentemente, o actual Presidente da República, João Lourenço, concedeu uma entrevista ao jornal português Expresso, durante a qual afirmou ter encontrado “os cofres do Estado já vazios, com a tentativa de os esvaziarem ainda mais”.

Para aclarar os factos, na declaração, Eduardo dos Santos disse que deixou mais de 15 mil milhões nas contas do Banco Nacional de Angola (BNA), como reservas internacionais líquidas. “Não deixei os cofres vazios”, sublinhou o antigo estadista, reforçando que, no seu mandato, todas as receitas e despesas do Estado eram inscritas no Orçamento Geral do Estado, obrigatoriamente. Informou que o gestor dessas contas era o antigo governador do Banco Nacional de Angola, sob orientação do Governo angolano.

Reforçou que a cobertura do défice era feita com a venda de títulos do tesouro aos bancos comerciais. Esclareceu que, em 2017, deixou pronta uma proposta de OGE para 2018 ao novo Governo, mas a nova equipa não cedeu à proposta e atrasou a aprovação do diploma, até Março. Alguns extractos da entrevista de João Lourenço Na entrevista que o actual Presidente da República, João Lourenço, concedeu ao Expresso, disse que quando assumiu o poder encontrou os cofres vazios ou a serem esvaziados.

“Estivemos diante de uma anormalidade, com despachos feitos em vésperas da minha investidura, nomeadamente, entre outros, sobre o porto da Barra do Dande, para favorecer quem pretendiam favorecer”. Essa declaração foi feita momentos depois de o avião do Presidente da República ter partido para Portugal, onde realiza uma visita de Estado de dois dias.