Interpol elege Kim Jong-yang, da Coreia do Sul, como presidente

A Interpol elegeu, nesta Quarta-feira, Kim Jong-yang, da Coreia do Sul, para um mandato de dois anos, superando um nacional russo, cuja candidatura levantou preocupações na Europa e nos Estados Unidos sobre o risco de interferência do Kremlin.

Os 194 Estados membros da Interpol, reunidos em Dubai para o seu congresso anual, elegeram Kim para suceder ao chinês Meng Hongwei, que desapareceu em Setembro e mais tarde pediu demissão após as autoridades chinesas terem dito que ele estava a ser investigado por suspeita de suborno. A Interpol disse no Twitter que Kim, que estava como presidente interino, foi eleito para um mandato de dois anos. A presidência, um papel em grande parte cerimonial, é realizada ao longo de quatro anos.

De notar, por outro lado, que Nestor R. Roncaglia, da Argentina, foi eleito para um mandato de três anos como vice-presidente para as Américas. “O mundo agora enfrenta mudanças sem precedentes que apresentam enormes desafios à segurança pública”, disse Kim à Assembléia Geral da Interpol em Dubai, segundo o Twitter da agência. “Para superá-los, precisamos de uma visão clara: precisamos construir uma ponte para o futuro”. O trabalho do dia-a-dia é tratado pelo secretário-geral Jurgen Stock da Alemanha, mas a presidência ainda exerce influência.

A candidatura de Alexander Prokopchuk, da Rússia, majorgeneral da Polícia e um dos quatro vice-presidentes da Interpol, causou preocupação na Europa e nos Estados Unidos, sobre a possibilidade de a Rússia explorar o poder da Interpol. Kim, de 57 anos, trabalhou na Polícia sul-coreana por mais de 20 anos antes de se aposentar em 2015. O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, felicitou Kim por ter se ter tornado a primeira sulcoreana a liderar a organização. “Estamos muito orgulhosos. Eu, junto com nosso pessoal, já enviei parabéns ”, escreveu Moon no Twitter. Os Estados Unidos disseram nesta Terça-feira que apoiaram Kim a liderar a agência depois que um grupo de senadores dos EUA ter acusado a Rússia de explorar o órgão global para acertar contas e assediar dissidentes. O Kremlin disse na Terça-feira que a oposição pública de um grupo de senadores dos EUA ao candidato russo equivale a uma interferência eleitoral.

Na Europa, o ex-primeiro- ministro belga e membro do Parlamento Europeu, Guy Verhofstadt, disse que “os países democráticos e livres podem precisar de desenvolver uma organização paralela” se Prokopchuk for eleito. “A Rússia sempre usou mal a Interpol para perseguir os seus oponentes políticos”, escreveu ele no Twitter na Terça-feira. O ex-presidente da Interpol, Meng, não foi contactado desde que desapareceu durante uma viagem à China, de onde enviou uma carta à Interpol anunciando a sua renúncia. Dias depois de a sua esposa ter informado que ele estava desaparecido, as autoridades chinesas disseram que ele estava sob investigação. O mandato de Meng estava previsto para terminar em 2020.