O amor também conta

Angola e Portugal é isto mesmo de uma relação altos e baixos e com os políticos muitas vezes a darem aquela imagem pública do “não te quero, mas também não te largo”.

Por: José Kaliengue

Deixemos os políticos, são poucos, no conjunto de pessoas que fazem pontes entre os dois países. E as pontes nem sempre são familiares ou de negócios, o que não invalida que sejam sólidas. Há pontes feitas de amor.

Na poesia revolucionária de Angola construiu-se a imagem do branco que usou a negra, gerou mulatos e depois se foi embora. E temos, de facto, ainda muitas Marias e muitos Josés ou Joãos sem sobrenome.

Tipo Maria das Dores, ou João José. Mas quando se contam estas histórias, normalmente se escamoteia o amor dela, ou mesmo dele, depois cerceado pelas circunstâncias sociais, políticas, etc.. a questão da relação de poder. Raramente se fala do caso inverso, em que o homem era negro e ela branca. Talvez o homem tivesse de ter algum ascendente social e económico, mas a verdade é que, apesar de muito raros, casos destes também aconteceram.

E houve amor aqui também. Nos nossos dias, o amor é mais livre e voluntário, como o caso das amasde- leite, antes uma parte da exploração.

Há dias falava com uma jornalista portuguesa que teve um bebé prematuro e tinha como companheiras de enfermaria duas mulheres negras, angolanas, que, vendo-a a lutar com o aparelho e sem leite, chegaram ao seu lado e “ó branca, estás à rasca, sem leite, deixa lá que nós temos de sobra e partilhamos”.

A criança teve assim o mais do que recomendável leite humano para lhe garantir boa saúde, como manda a OMS e tudo o que é médico responsável… Foi uma acto de amor que não se pode esquecer.