A pertença do hino

João Lourenço chegou a Portugal debaixo de uma imensa expectativa. Os jornalistas procurava, saber do estado de alma de empresários, artistas e de outros actores sociais. A ideia era sentir a temperatura, talvez para conferir a realidade das palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente de Portugal, quando disse que as relações entre os dois países tinham entrado numa nova fase, uma fase boa. Alguns fazedores de opinião foram ouvidos, na maioria os mesmos de sempre, outros, “novos” foram incluídos, assim como a voz popular teve espaço no Fórum TSF, sobre as expectativas em torno da visita. A participação dos ouvintes foi elevada, sinal de que entre os dois países ainda há muita gente com coisas para dizer. A situação económica de Angola não escapou das análises mais profissionais e das mais amadoras. O apelo do Presidente João Lourenço para o combate à corrupção tem eco no português comum, tal como é de domínio público que Angola tem uma enorme dívida com empresas lusas. A crítica à governação angolana, a anterior e a actual, é quase conversa de candongueiro, toda a gente tem uma opinião, mas com a particularidade de a governação portuguesa nunca ser deixada de parte quando cai o pau. “Tudo farinha do mesmo saco. E nós, os povos, é que sofremos”! Dá para entender? que em Angola se peça a cabeça de um treinador de futebol em Portugal por causa de um mau resultado e em Portugal toda a gente tenha uma palavra sobre a governação angolana? Dá sim, sobretudo quando estamos nas galerias da Assembleia da República, em Lisboa, e depois dos discursos oficiais se toca os hinos dos dois Estados e notamos que portugueses e angolanos cantam ambos como seus. eu vi isso. E no hemiciclo deu para perceber que havia também corações a seguir os dois andamentos.