Angola conquista direcção do Comité Executivo da Interpol para África

O subcomissário de Investigação Criminal Destino Pedro Nsevilu foi eleito por maioria absoluta de 99,3% de votos ao cargo de delegado para África do Comité Executivo da Interpol, no último dia da 87ª Sessão da Assembleia Geral da organização, decorrida no Dubai

Segundo uma nota de imprensa do Ministério do Interior a que O PAÍS teve acesso, a diplomacia do titular da pasta, Ângelo Veiga Tavares, e dos altos funcionários do seu pelouro, que participaram no evento influenciaram os resultados obtidos, fruto de uma campanha massiva de promoção da imagem do concorrente angolano, bem como o estabelecimento de vários encontros com outras nacionalidades, visando a conquista da confiança e, consequentemente, dos seus votos.

O oficial angolano eleito à delegado para África ao Comité Executivo da Interpol, para um mandato de três anos, é o actual director do Gabinete Nacional da Interpol de Angola e já exerceu vários cargos de chefia na Polícia Nacional. Possui dois mestrados, tem várias obras publicadas, é poliglota, tendo em conta que fala sete línguas. O Comité Executivo é o órgão supremo da Interpol e tem como função principal definir e supervisionar a execução de políticas, estratégias e as decisões tomadas pela Assembleia Geral da organização e orienta os trabalhos do Secretariado. Promove, através da Assembleia Geral, as decisões sobre os assuntos da actualidade policial, criminal e de cooperação policial e internacional.

As atribuições do novo delegado da Interpol para África serão de promover, a nível geral, algumas reformas profundas na organização, mormente no âmbito organizacional e estatutárias, porquanto, a última revisão da Constituição é de 1956. A nível do continente africano pretende ainda propor algumas soluções para os problemas do policiamento africano, mormente no combate à criminalidade transnacional organizada, bem como trabalhar na promoção e uso das capacidades policiais da Interpol em África, já que os países africanos tiram pouco proveito destas ferramentas do policiamento Internacional, numa cifra de pouco menos de 2%.

Realça-se que o primeiro angolano a ser eleito para membro do Comité Executivo da Interpol e delegado para África foi o comissário Eduardo Cerqueira, nos anos 2008 e 2009, e que no mesmo período foi membro suplente da Comissão de Controlo de Ficheiros, enquanto em 2009 passou para membro efectivo da referida Comissão. No final do seu mandato no Comité Executivo foi galardoado com a medalha de prata da organização, tendo sido o primeiro angolano a beneficiar do passaporte internacional da Interpol com o número 5.

error: Content is protected !!