Bombeiros registam mais de 1000 mortes em 10 meses

De Janeiro a Outubro do corrente ano, 1.156 mortes foram registadas pelo Serviço de Protecção Civil e Bombeiros (SPCB), em situações de incêndio, sinistros e calamidades, sendo que 911 pessoas ficaram feridas

O quadro actual da situação operativa do país relacionada com a prevenção contra incêndios, sinistros e calamidades continua a ser preocupante, tendo em conta os dados estatísticos de Janeiro a Outubro do ano em curso, apresentados, ontem pelo SPCB. Este serviço registou um total de 1.156 mortes (mais 221 comparativamente ao mesmo período no ano passado), segundo o comandante Bênção Cavila, que falava na abertura do 26º Conselho Consultivo Alargado da sua instituição, que decorre em Luanda.

O número de feridos é de 911 (menos 269 em relação ao ano passado). Estas cifras resultam das 4 mil e 803 ocorrências, que causaram prejuízos materiais calculados em 296 milhões e 874 mil e 34 Kwanzas, com maior realce nas zonas suburbanas. Os sectores mais afectados são o residencial, o comercial, o industrial, a energia e água, o transporte e o ambiente, bem como as propriedades privadas e estatais. O comissário afirmou que a sua instituição, de formas a se mudar o quadro actual da situação operativa no país, tem vindo a traçar estratégias, como o aumento permanente dos níveis de formação e capacitação profissional dos efectivos.

Ainda nesta senda, têm feito cursos de formação de brigadas contra incêndios em diversos objectivos económicos e sociais estratégicos do país, engajamento das forças nas acções de extinção de incêndios, resgate e salvamento, socorros a náufrago e atendimento pré-hospitalar. Por outro lado, referiu que a direcção do Ministério do Interior está ciente dos grandes desafios que tem o SPCB, tendo em conta o crescimento do número de infraestruturas modernas que o país vem registado, nos últimos tempos, bem como o crescimento populacional. Para o responsável, é racional deduzir que quanto mais vastas e complexas forem as infraestruturas, maior serão as probabilidades de surgimento de sinistros, dando origem à vítimas humanas e danos materiais. Pelo facto, são obrigados a elevar os níveis de prontidão e acrescer os serviços preventivos, de forma a mitigar os possíveis danos.

SPCB analisa hoje o estado da Escola Nacional de Bombeiro

O 26º Conselho Consultivo Alargado do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, que teve início ontem, termina hoje com vários assuntos a serem discutidos e analisados, como o estado actual das obras da Escola Nacional de Bombeiros, bem como a possibilidade de abertura no ano lectivo que se avizinha. Bênção Cavila reconheceu que o Conselho Consultivo se realiza num ambiente de transformação do país, sobretudo no âmbito político, económico e social. Reforça que está em curso o processo de descentralização dos serviços administrativos dos órgãos da administração do Estado, pelo que a sua instituição não estará à margem destas mutações, sob pena de ficar estagnada, no tempo e no espaço.