Carta do leitor: 22 de Novembro, uma data pobre!

Senhor director o jornal O PAÍS é um produto que cumpre com a obrigação de informar todos os dias os cidadãos dentro e fora de Angola. Por isso, escrevo a partir do município da Ganda, província de Benguela, para falar um pouquinho do 22 de Novembro, Dia do Educador em Angola.

POR: Nelito Dala, Benguela

“Educar é um acto de amor”, diz o velho adágio popular desde os tempos remotos. O processo de ensino em Angola passou por várias fases, uma das mais críticas foi a do período de guerra. Com a assinatura dos acordos de paz em Angola, viu-se uma luz no fundo do túnel. Pensavámos que o sector, à época com o Plano Nacional de Desenvolvimento, seria um mar de rosas. Volvidos alguns anos, a educação continua a ser um parente pobre, aqui então na Ganda não falo mais. Os professores andam quilómetros e quilómetros para levarem o ensino aos mais pequenos nas comunas mais recônditas. As escolas não têm condições. No entanto, não se adaptam à realidade local tal como mandam os cânones da Didáctica. Os salários continuam cada vez mais a não corresponder às necessidades económicas actuais. Isso, como é evidente, reflecte- se na qualidade do ensino e ,consequentemente, na má formação de quadros da base ao topo. Medidas urgentes para se inverter o quadro são necessárias, porém o Executivo deve cumprir com as suas obrigações. Muitos que entraram no concurso público de 2012, 2013 e 2014 preferiram ficar em casa ou concorrer noutros sectores privados. A valorização é maior, aliás, o salário chega a minimizar um pouco às necessidades fungíveis da família. O recurso à greve nem sempre tem funcionado, apesar de ser um direito, porque os governos que saem da esquerda para a direita tem dificuldades em lidar com as liberdades. Num dia como ontem, a festa entre os professores em Angola devia ser para repensar cada vez mais o ensino. Somos guerreiros.