Professora de Matemática da UAN continua suspensa das suas actividades

A Universidade Agostinho Neto (UAN) esclareceu ontem, em conferência de imprensa, a polémica situação que envolve a professora de Matemática, Maria Natividade, ex-chefe do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências. Enquanto decorre um inquérito, a docente continua afastada de suas funções

professora, que dava aulas na instituição há mais de 20 anos e exercia o cargo de chefe de Departamento de Matemática desde 2013, está suspensa do cargo deste departamento e não da carreira docente, segundo a decana da Faculdade de Ciências, professora Suzanete Costa, que falava ontem, em entrevista colectiva. A suspensão da professora Maria da Natividade é um facto enquanto decorre o inquérito disciplinar em que envolve os alunos do curso de Matemática.

No dia 10 reuniram com os estudantes, averiguaram o que estes afirmam nos seus documentos, e os representantes dos estudantes voltaram a frisar que não queriam mais aquela professora. Assim sendo, a informação foi levada ao magnífico reitor da Universidade Agostinho Neto. “Como o assunto já tinha ultrapassado o Conselho Científico Pedagógico, e a direcção deu conta que havia coisas que precisavam ser resolvidas, para não haver choque entre o decano e a chefe de Departamento, criaram uma comissão para averiguar a situação”, disse.

A decana disse ainda que não há choque entre a chefe do departamento e a UAN, porque a universidade tem o seu estatuto orgânico, seu regime académico e regulamento de trabalho de fim de curso, onde constam as regras, os direitos e deveres de ambas as partes que estão no processo docente educativo. “Depois da reunião do Conselho Pedagógico, a doutora recebeu a acta. Não concordou com o conteúdo, o que é normal. Para não atrapalhar o trabalho da comissão de inquérito, houve a necessidade de suspendê-la do cargo de chefe de Departamento de Matemática e foi indicada a vice-decana para área académica a ocupar o lugar”, sublinhou.

No dia 1 de Novembro, a comissão de inquérito entregou à decana o primeiro relatório, pelo que pediram para que se estendesse o prazo da suspensão, por haver necessidade de se ouvir outros docentes. A comissão de inquérito apurou incumprimentos no que diz respeito ao Regime Académico (o regulamento da UAN que espelha os direitos e deveres de cada um), mas ainda não foi possível avançar, naquela conferência, pormenores sobre o assunto, porque o processo não está concluído. As coisas não estão resumidas numa pessoa apenas “Em momento algum pôs-se em causa a capacidade científica da docente, depois de ser afastada do departamento. O que está aqui em discussão é o processo docente educativo. Repito: nunca esteve em causa a falta de rigor da Faculdade de Ciências, pois se assim fosse não estaria a formar quadros”, afirmou.

Por outra, esclareceu que não se quer denigrir a imagem da doutora Natividade nem que os assuntos que devem ser resolvidos pelos órgãos existentes na UAN vão parar aos meios de comunicação social. O problema deve ser resolvido dentro do nosso departamento. “Dava a impressão de que as coisas estavam resumidas numa pessoa, mas não estão. Vamos analisar tudo minuciosamente. E mais, Maria Natividade, dentro da sua carreira de docente não foi exonerada, apenas cessou a comissão de serviço como chefe de departamento”, recordou. Importa frisar que, em declarações à imprensa, Maria da Natividade afirmou que foi exonerada do cargo de departamento do curso de Matemática e suspensa da actividade docente por boicote dos estudantes e da direcção da Faculdade de Ciências da UAN. Acusada pelos estudantes de dificultar a vida académica destes, a professora suspensa desvalorizou as queixas e reiterou que “tudo acontece por querer implementar reformas e aplicar o regulamento”.