Baixo orçamento de 2019 para Lunda- Sul pode provocar manifestações

A iniciativa é do Movimento Cívico do Leste de Angola “Akwa Mana”, que considera abismal a diferença da proposta orçamental para a Lunda-Sul, em relação às demais províncias. O governador local quer dialogar para evitar que os citadinos saiam à rua

A população da Lunda-Sul pretende manifestar- se para exigir um aumento no Orçamento Geral do Estado (OGE), do próximo ano, para esta província a quem foi atribuída o valor mais baixo, nas despesas por localidade, conforme consta da página 103 da proposta deste principal instrumento de governação. O total de orçamento previsto para a Lunda-Sul é de 36 bil iões 827 milhões e 821 mil e 821 kz (36.827.821.821,00), contra os mais de 51 biliões que poderão ser alocados à província do Namibe, que surge na posição a seguir.

O Movimento Cívico do Leste de Angola “Akwa Mana”, promotora da aludida manifestação, considera abismal a diferença do orçamento da Lunda- Sul comparativamente às outras províncias. Guilherme Martins, um dos organizadores do pretexto, disse a OPAÍS não fazer sentido que esta província seja a menos beneficiada do OGE com os actuais indicadores de pobreza e as dificuldades que esta região atravessa. “Nem já uma centralidade temos aqui e com este orçamento não se reflecte nem mesmo para o saneamento básico”, disse, Guilherme Martins.

Governador pede diálogo

O activista da Akwa Mana, que significa sábios na língua portuguesa, disse já ter endereçado cartas aos partidos políticos da oposição e ao governador provincial, Daniel Félix Neto, este que por sinal é o mais jovem dirigente, dentre as 18 províncias, nomeado pelo Presidente João Lourenço. Marcada inicialmente para hoje, Sábado, nas principais avenidas de Saurimo, Guilherme Martins disse ter recebido um telefonema de Daniel Félix Neto, a partir de Benguela, onde participa na conferência dos Municípios e das Cidades de Angola, para um diálogo de modos a se evitar tal manifestação.

Segundo o activista, marcou-se um encontro com o governador para o início da próxima semana, tendo recebido garantia do número um do Executivo local de que haverá subida no orçamento para a Lunda-Sul. Ainda assim, Guilherme referiu que “esperamos ouvir garantias palpáveis por parte do governador que podem nos levar a adiar tal manifestação”, disse o interlocutor. A Lei que aprova o OGE de 2019 continua a ser discutida na especialidade na Assembleia Nacional. Importa realçar que o movimento cívico Akwa Mana mobilizaram, no passado mês de Abril do corrente ano, centenas de cidadãos nas províncias da Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico, para reivindicarem a melhoria de condições de vida das populações locais a uma melhor distribuição do rendimento nacional.

As populações do leste de Angola, região rica em diamantes, vivem imensas dificuldades, como falta de habitações condignas, de saneamento básico, de água potável e electricidade, de hospitais, condições agravadas pela degradação das vias rodoviárias, o que impede o abastecimento regular de bens e serviços. Para além da Akwa Mana, a região das Lundas já conta com o Movimento do Protectorado da Lunda Chokwe, que reivindica uma autonomia, recorrendo a um tratado de protectorado celebrado durante a colonização portuguesa.

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