Continua a faltar aquele bocado

Continuam as boas intenções nas relações entre Angola e Portugal, sobretudo nos planos político e económico, em que se assinam acordos e mais acordos. Os Políticos têm esta facilidade de ver o mundo por um prisma que não chega à nossa dor individual. É que na visita de João Lourenço que hoje termina, que o levou a Lisboa e Porto, Visita de Estado, diga-se, mais uma vez o foco foi virado para a política e para a economia. Mas Angola e Portugal são muito mais do que isso, são pessoas, que sofrem, que se alegram. A mim preocupa particularmente a questão dos vistos e também, mas isso é maka nossa apenas, a cambial. Há angolanos a sofrer em Portugal, já não por causa da sua situação legal, migratória, mas por falta de dinheiro para custear tratamentos médicos ou a escola. Os vistos, são o que são, uma odisseia, as passagens aéreas têm custos que apenas beneficiam as duas operadoras aéreas, TAAG e TAP, que têm na rota Luanda – Lisboa, uma autêntica galinha de ovos de ouro e depois, para acabar com tudo, a tal nossa maka mesmo dos cambiais. Mas se ao menos fosse fácil transitar de um lado para o outro, muita gente encontraria formas de custear os estudos e os tratamentos médicos. Faltou, efectivamente, falar-se mais sobre as pessoas, no plano social, no da mobilidade e no cultural. Uma exposição inaugurada ou um concerto do Matias Damásio ou mesmo do Paulo Flores são ainda muito pouco para o encontro cultural que se faz urgente. Falta este bocado, de nos fazermos ver pelos portugueses para além das figuras e das intrigas políticas.