“É preciso formar homens e mulheres”

Há trinta e cinco anos em Portugal, país para onde emigrou por causa da guerra, Américo Marques é um pastor evangélico angolano, actualmente presidente das organizações eclesiásticas angolanas em Portugal, que se diz feliz em Portugal como se sentiria em Angola, porque tem Cristo no coração

Homem extrovertido, diz que esta característica o ajudou na integração no novo país, onde começou por trabalhar em obras de construção civil. Mas as saudades, refere, quando o assolavam, foram os momentos mais difíceis. Aliás, ainda no início desta semana, Segunda-feira, quando voltava de Luanda para Lisboa, experimentou a “divisão” que a saudade inventa.

Como sonho, se o pudesse realizar, teria Angola coberta por escolas de formação profissional porque “homens e mulheres devem ter uma formação, saber fazer alguma coisa, e não apenas diplomas”. Na Serra de Minas, arredores de Lisboa, criou uma escola evangélica internacional, que a partir de 14 de Janeiro passará a acolher também idosos. Para já, acolhe alunos, alguns com bolsas de estudo, alguns vindos de situações sociais precárias. Cita o caso de um jovem angolano, de entre 25, que, vindo de uma situação precária, beneficia agora de uma bolsa de estudos financiada nos Estados Unidos da América.

Américo Marques concorda com a alteração legislativa sobre a liberdade de culto e de religião em Angola, mas apela à moderação. Contudo, não aceita a ideia de uma igreja em que o líder está bem, mas o povo está mal. A sua igreja apoia doentes angolanos em Portugal, tem colaboração com a associação dos doentes angolanos em Portugal, alguns dos quais passam com uma sopa por dia e são despejados dos alojamentos por falta de pagamento.

Sobre as operações Transparência e Resgate que acontecem actualmente em Angola, gostaria de apelar ao Presidente João, a maior atenção possível, principalmente porque há já casos, diz, de injustiça e que podem agravar a situação social do país, com o encerramento de empresas e o consequente “despejo” de pessoas no desemprego. Por outro lado, as dificuldades cambiais são outra queixa, já que há pessoas doentes que não conseguem receber dinheiro de Angola, algumas até com as consultas suspensas por falta de pagamento, além da situação difícil dos estudantes.