Movicel promete resolver problema da ‘2ª via do SIM’ na Terça-feira

A operadora de telefonia móvel Movicel está desde finais de Setembro sem emitir a “2ª via dos cartões SIM” a clientes que terão perdido ou sido furtado o conhecido chip. O director-geral da empresa, Gianvittorio Maselli, em entrevista exclusiva a OPAÍS, ontem, assegurou que, a partir de Terça-feira, 27, a situação será resolvida, começando por Luanda

Alguns clientes da operadora Movicel, em todo o país, estão a queixar-se dos serviços desta telefonia móvel por estarem privados de tirar a segunda via do chip, conhecido tecnicamente por “cartão SIM”, situação esta que dura já dois meses. Numa ronda efectuada ontem, em Luanda, pela reportagem de O PAÍS, tanto nas lojas oficiais do centro urbano como as da periferia, constatou-se um aglomerado de gente aflita, à procura da segunda via, mas sem solução. A maior parte contactada por este jornal, alega que nos balcões os funcionários limitam-se a dizer apenas “não haver disponibilidade”, mas sem esclarecer se se trata de um problema técnico ou logístico, como é o caso da falta de stock.

Noutros balcões pouco ou nada dizem a respeito desta preocupação que está a provocar transtornos há muita gente que fica privada destes serviços, que por qualquer razão perdeu o seu “SIM”, mas que não pretende trocar. Em busca de uma explicação, o jornal OPAÍS conversou com o director-geral da operadora, Gianvittorio Maselli, que começou por dizer que houve uma redução dos cartões na loja, mas o problema já está a ser resolvido e partir da próxima semana terá quantidade suficiente para todos. “Está a chegar 500 mil cartões, para números pré estabelecido e números a serem registados. Os clientes podem estar descansados que a partir da próxima semana, na Terça-feira, já teremos cartões nas lojas da Movicel”, disse.

O responsável disse que começaram a registar quantidade limitada no final de Setembro, em algumas lojas, pelo que isso foi um prejuízo para a empresa, coisa que se vai ultrapassar. Tinham um problema de pagamento, através dos bancos comerciais, segundo ele, que veio a contribuir para esta carência. A Movicel é uma empresa angolana de telecomunicações, com o foco em telefonia móvel. A empresa tem actualmente cerca de dois milhões e meio de clientes. Mas tem registado um milhão e 500 de clientes, que utilizam todos os dias a rede. Destes quase 50 por cento dos pedidos são para 2ª via e 50 são novos assinantes. Dificuldades na hora do pagamento por causa das divisas Gianvittorio Maselli disse ainda que têm encontrado dificuldades na hora do pagamento no exterior, por falta de divisas, para serviço de manutenção da rede, telemóveis e tráfego internacional. São serviços fornecidos no exterior do país e sem divisas dificulta o pagamento.

De acordo com o gestor, a Movicel presta um serviço público e serviço de telecomunicações é tão importante quanto à agricultura e à medicina, porque pode salvar vidas e incrementar negócios. “O mercado é grande e tem 30 milhões de pessoas e 50% estão abaixo de 20 anos, e são todos potenciais futuros utilizadores de telemóvel. Daqui há cinco anos o mercado vai crescer e nesse momento só temos duas operadoras para 30 milhões de pessoas”, referiu. A Movicel pretende privilegiar as acções de responsabilidade social e os investimentos que visam melhorar a qualidade da rede, dos serviços de internet, bem como a expansão dos vários projectos, pelas 18 províncias do país, para que seja facilitado o acesso aos produtos da empresa.

Projectos da Movicel

Durante a entrevista, fez saber do projecto lançado a 15 de Outubro que é o POS MOBILE, que irá funcionar como forma de criação de negócios para os angolanos, e qualquer pessoa pode virar empreendedor adquirindo, com 30 mil Kz um telemóvel e fazer toda actividade que fazem os assistentes de lojas. “O POS Mobile vai possibilitar, através do telemóvel, que o agente Movicel realize acções que são actualmente efectuadas em uma loja da Movicel, podendo, com isso, tornar-se um potencial empresário”, disse. Por outro lado, consiste na venda de saldo electrónico por meio do telemóvel, tecnologicamente mais simples. É um aplicativo que visa fomentar o empreendedorismo dos vários públicos, de diferentes camadas sociais. O responsável salientou que, hoje, mais de 40% das recargas são electrónicas e o objectivo da operadora é chegar aos 80%, nos próximos anos. “Temos 800 torres distribuídas em toda Angola e mais 60 construídas que só faltam serem instaladas. Agora fizemos um acordo com a companhia Rent alugando a fibra e estamos na fase final de interligação”, contou.