Adubo orgânico do Cunene aprovado na alemanha almeja dominar Angola

hangalo Karitoco é o engenheiro agro-pecuário do Cunene que criou e patenteou a fórmula química do adubo orgânico “Karitoco”, produzido a partir de resíduos sólidos urbanos, ou “lixo”. sendo bem aceite o produto no seio dos agricultores locais, os objectivos a curto e médio-prazos são abastecer Angola e exportar

De Cuanhama, Cunene, para a Feira dos Municípios, na cidade das Acácias Rubras, Benguela, veio o engenheiro agro-pecuário Hangalo Karitoco e, na bagagem, trouxe a sua invenção amiga do ambiente, adubos orgânicos “Karitoco”, marca registada.
O cidadão Hangalo Karitoco expôs no ano passado, na defesa da tese de licenciatura em Engenharia Agro-pecuária, o produto que criou através do reaproveitamento de uma matéria-prima “infindável” e crescente em Angola, o lixo.

Assim, a produção diária a que se dedica com a ajuda dos seus 15 funcionários, nunca se vê limitada por falta de recursos pois, naquela localidade, como em todo o país, o lixo é abundante. “Idealizei o projecto, transformando lixo em adubo, em dinheiro. Hoje, o país gasta dinheiro para importar adubos químicos, prejudiciais à saúde humana”, criticou o engenheiro Hangalo, logo, luta para conseguir massificar a produção.

Produção de adubo orgânico ajuda no combate à malária

“O Estado expende dinheiro para comprar os medicamentos. E, se nós não cortarmos a raiz (lixo), então, o governo (ao importar medicamentos), não está a fazer nada”, pois as crianças continuarão a adoecer com malária. Neste prisma de pensamento, o engenheiro Karitoco argumentou que a produção massiva de adubo orgânico, para a qual precisa de apoio, investidores, será uma forma eficiente de redução drástica dos focos de lixo em Angola.

Consequentemente, para além de se passar a ter cidades limpas, com o lixo reaproveitado para a produção de adubo orgânico, a agricultura será mais sadia e, fundamentalmente, Angola poderá caminhar para a eliminação da malária. Portanto, falar da sua invenção é um campo amplo, pois engloba benefícios para a saúde pública em dois sentidos, quer na ausência de químicos nos alimentos vegetais, quer na eliminação do lixo a céu aberto.

“Karitoco” aprovado em 3 laboratórios internacionais

Produzido pela primeira vez em Março de 2017, no município de Cuanhama, província do Cunene, o engenheiro saiu da teoria, fórmulas químicas, para prática, e fabricou amostras do adubo orgânico “Karitoco” apresentadas em Julho. Passadas as fases de tentativa e erro, o engenheiro agro-pecuário Hangalo Bernardo Karitoco encontrou as quantidades ideais da composição química, obteve aprovação do laboratório do Ministério da Agricultura e foi à procura de aprovação internacional.

Além fronteiras, levou a sua invenção, adubo orgânico “Karitoco”, à Namíbia e à África do Sul, para realização dos testes necessários e aquisição de subsequente aprovação, e o resultado foi positivo nos dois países africanos. Na primeira quinzena deste mês, fruto de uma ajuda institucional, Hangalo Karitoco foi enviado à Alemanha e, lá, a composição química que descobriu para produzir os seus adubos orgânicos foi igualmente aprovada em laboratório.

Satisfeito com a sua criação auto-sustentável mas, esperando com isso mudar Angola e o mundo, declarou: “o projecto está internacionalizado, só cabe agora ao Estado apostar” nele e “reduzir os custos das importações de adubos químicos.”

144 toneladas de adubo produzidas artesanalmente em três meses

Não sendo empresário mas sim investigador, o engenheiro tem trabalhado na promoção do produto que inventou, para atrair o interesse de investidores privados ou estatais, tendo adiantado que o Governo Provincial do Cunene mostrou vontade. Com a produção artesanal, sem uso de maquinarias, pois não as detém, deu emprego a 15 jovens que trabalham consigo. Em 90 dias, no primeiro balanço da produção, fabricaram 144 toneladas de adubo orgânico. “Colectamos todo o tipo de lixo”, exceptuando-se plásticos e metais, sendo o papelão uma óptima fonte de celulose e o capim um bom doador de fibrose, segundo informou o engenheiro agro-pecuário.

Para realizar a sua actividade, Hangalo Karitoco tem um terreno com doze covas de 10m2 de área. Apesar da operação produtiva totalmente manual, já abastece fazendas com adubo orgânico em 8 províncias, ambicionando as 18. O lixo, após ser recolhido em vários pontos do município do Cuanhama, é devidamente separado, manualmente, e triturado com catanas.

O processo produtivo passa também pelo enterro do lixo, com compressão e elevação da temperatura. “São 90 dias que a composta deve ficar” enterrada, com uma temperatura subterrânea de 80ºC. Todavia, quando conseguir uma máquina trituradora industrial, o ciclo produtivo poderá ser encurtado e rentabilizado para apenas 30 dias.
hangalo

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