Barbearia transformada em explicação por falta de escola no Tapo

o desejo de aprender a ler e a escrever obriga crianças, jovens e idosos a estudarem num pequeno (e único) espaço feito de chapas de zinco, vulgo bate-chapas, na comunidade do Tapo, cujos moradores clamam por uma escola. O que era uma barbearia, reverteu-se numa explicação que muito tem ajudado a alavancar o ensino na comunidade

A comunidade do Tapo, localizada nas profundezas da Barra do Kwanza, enfrenta muitas dificuldades. Os moradores, para frequentarem a escola pública, têm de percorrer todos os dias 10 a 16 quilómetros até as instituições de ensino mais próxima da comuna, uma nas Palmeirinhas e outra no Ramiro.

Sofia Massanga Bonga, de 31 anos, mãe de cinco filhos, actualmente separada do marido, se predispõe em ensinar os que almejam aprender a ler e a escrever, e não têm possibilidade de se deslocar para fora da região. Em frente à sua residência, o seu irmão ergueu um pequeno espaço feito de chapas antigas de zinco com o objectivo de transformálo numa barbearia. Por não ter tido êxitos, a entrevistada pediu o espaço para passar a dar explicação aos seus filhos e parentes próximos.

A vizinhança que acompanhava atentamente o trabalho da Sofia pediu que fossem incluídos também os seus filhos, com o propósito de, pelo menos, aprenderem a ler e a escrever.

Com o desejo de contribuir para a sociedade, Sofia aceitou o desafio, apesar de que tem de desenvolver actividade comercial para puder sustentar os seus filhos. Passou a ensinar não apenas as crianças mas também os jovens e mais velhos. “No espaço que era inicialmente para explicar os meus filhos passei a administrar aulas de alfabetização para cerca de 30 pessoas”, conta.

A explicadora espera ser ajudada no sentido de poder ver erguida uma escola na sua localidade. “Temos pessoas com vontade de aprender a ler e a escrever, mas não conseguem por falta de uma escola. Eu vou ajudando a dar as bases com o pouco que sei, mas não é o suficiente”, lamentou, Sofia Bonga.Pelo facto, apelou ao Governo e a sociedade civil, que ajudem a realizar sonho da comunidade, de ter uma escola, uma vez que as poucas crianças que estudam têm de andar longas distâncias até à escola mais próxima.

A Associação Juvenil de Ajuda as Comunidades (AJACOM) e o Grupo NC – Núcleo de Comunicação tem ajudando a localidade, há dois anos, e actualmente estão empenhados em mobilizar diferentes empresas neste sentido, também para desenvolverem a região, tendo em conta que falta quase tudo, desde a água potável, centro médico, saneamento básico e escola. Por agora estão a arrecadar apoios para realização do Natal Solidário que irá decorrer no dia 23 de Dezembro.

Recentemente, a comunidade beneficiou de uma doação de bens perecíveis, feito pela empresa Angonabeiro. A directora de marketing da referida instituição, Joana Miranda, mostrou-se sensibilizada com esta causa e juntou-se às várias empresas que têm apoiado, dentro da sua responsabilidade social. “Fico muito feliz por fazer parte desta corrente que visa trazer um pouco de alento a estas crianças. Pude ver o sorriso e o sentimento de gratidão.

Este também é o papel que as empresas devem desenvolver”, disse. Por sua vez, Filipe Martins Dala, coordenador do Tapo, apelou aos empresários que continuem a apoiar a comunidade, sobretudo no abastecimento da água potável, tendo em conta que não têm este precioso líquido. A comuna do Tapo conta com cerca de 500 pessoas entre crianças, jovens e idosos, vivem da pesca artesanal, e está localizada no município de Belas, em Luanda.