Festa da Ilha do Cabo prossegue em prol da tradição

as festividades tiveram início na sextafeira, 23, com o corte de fita e a deposição de uma coroa de flores à estátua da Mamã da Ilha e do pescador

Encerra hoje, 25, a 39ª edição da festa da Nossa Senhora do Cabo, Ilha do Cabo, no distrito urbano da Ingombota, com a realização de uma missa de acção de graça na Igreja Nossa Senhora do Cabo.

O evento é realizado anualmente a nível do distrito contempla ainda uma tarde recreativa plena de música, poesia, teatro e entrega de diplomas. Inserida nas festividades decorre também uma exposição de produtos artesanais e de gastronomia, desde a Chicala até ao Ponto Final, onde os visitantes degustam pratos típicos, como mufete, funje, frutos do mar, e não só.

Durante as festividades, foram igualmente realizadas uma corrida de barco entre a marinha de guerra e o Porto de Luanda e uma passeata de barco, com a estátua da Nossa Senhora do Cabo, com o objectivo de benzer o mar. As festividades tiveram início na Sexta-feira, 23, e encerram hoje. Abriu com o corte de fita e continuou com a deposição de uma coroa de flores aos pés da estátua da Mamã da Ilha, conhecida vulgarmente como Avó Ngana. O mesmo procedimento foi consagrado à estatueta denominada papá, o pescador.

Yolanda de Predo, directora artística do grupo carnavalesco infantil da Ilha, em conversa com este jornal explicou que a estatueta de Avó Ngana, vestida de Bessangana e um balaio na cabeça, representa o traje tradicional de todas as mamãs Bessangana da Ilha do Cabo (as Axiluanda). ”Todos os anos realizamos as festividades em Novembro. Sou da nova geração e sigo os rituais dos nossos antepassados.

Cada município ou distrito realiza as suas festividades, o mesmo acontece com a ilha do Cabo”, explicou. O cidadão Jorge André contounos que as estatuetas da Avó Ngana e do pescador representam os nativos da Ilha do Cabo, os ilhéus, ou Axiluanda, isto sem esquecer, avançou, que é também de tradição a deposição de flores nas referidas estátuas.

Quanto à questão relacionada com a “alimentação das sereias” (atirar comida e bebida ao mar), nesta edição não foi realizada por uma questão de organização. “Isso tem participação do Governo e acho que não houve um acordo. Acredito que a não realização deste acto não afecta negativamente em nada”, considerou.

Rituais das festividades

João Janota, de 60 anos de idade, armador de pesca considerou as festividades da Ilha do Cabo como um ritual, onde os anciãos seculares faziam rituais em forma de agradecimento à mãe natureza com dança e música. O cidadão referiu que, em função da tradição de seres espirituais chamados calundus os ilhéus dançam, xinguilam e fazem rituais ao mar, dando de comer e beber as sereias.

Sobre a passeata ao mar com a estatueta da Nossa Senhora do Carmo, é de realçar que é um procedimento realizado em todas as festividades, de modo a dar prosperidade e saúde ao povo ilhéu. “Tudo isso faz parte de um ritual que já encontramos. Fizemos jus à tradição para que as coisas corram bem. Hoje juntou-se à festa da ilha e da padroeira porque a nossa senhora do Carmo é a padroeira da ilha ”, rematou a nossa interlocutora.

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