formação retira jovens do “Belo Monte” da delinquência

os primeiros beneficiários do ciclo de formação serão usados, posteriormente, como agentes da mudança na comunidade de forma a ajudar outros jovens a saírem do mundo do crime, que tem feito vítimas neste bairro

A pobreza, delinquência e prostituição tem sido rotina no bairro Belo Monte, adstrito ao município de Cacuaco. Todos os dias, contam os moradores, mais de dez assaltos às residências, com recurso a arma de fogo, e várias violações, são cometidos na zona que alberga mais de 500 mil moradores. Os assaltos, quando não matam, ferem e deixam famílias devastadas, o que já obrigou muitos populares a abandonarem a circunscrição carente de energia eléctrica, vias de acesso e água.

Os jovens, dos 15 aos 28 anos, segundo os moradores, são os protagonistas das acções delituosas que já enlutaram dezenas de famílias. Porém, de forma a desincentivar as más praticas, foi implementado no bairro um amplo programa de formação em diversas áreas de actividade. O objectivo é ocupar, com formações, os jovens em situação de risco e assim devolver a tranquilidade aos moradores.

A iniciativa, desenvolvida pelo projecto comunitário Desafio Jovens de Sucesso, em parceria com o Instituto Nacional do Emprego e Formação Profissional (INEFOP), capacitou, numa primeira fase, 50 jovens. No final do ciclo formativo, fundamentalmente virado para a área do empreendedorismo, os beneficiários receberão micro-créditos com valor inicial equivalente em Kwanzas a mil dólares norte-americanos.

Ontem, durante o acto de entrega do micro-crédito, Diogo João, coordenador do projecto esafio Jovens de Sucesso, fez saber que a aposta na formação foi o meio encontrado para retirar os jovens da “má vida” e assim poder mostrar a estes caminhos seguros para a sobrevivência. “Temos vindo a organizar palestras, mas isso só não basta. As pessoas querem acções práticas. E encontramos essa solução, formando dezenas de jovens que, antes, dedicavam-se a coisas erradas e hoje vão poder contribuir para o bem da comunidade”, frisou.

Um alerta dos encontros comunitários

De acordo com o responsável, a falta de oportunidades sociais no bairro tem sido o principal motivo da inclinação de muitos jovens à delinquência, tornando assim a zona num espaço de elevado risco. Porém, só depois de muitas palestras, acções de sensibilização e encontro comunitários é que se chegou à conclusão de que só com a formação é que se poderá reduzir os casos de criminalidade.

Junildo Manuel, de 18 anos, é um dos jovens que deixou a vida de “grupos” para apostar na formação, o que lhe rendeu a abertura do seu primeiro negócio, por via de um crédito de mil dólares que recebeu. Conforme explicou, além de estar ocupado com isso, o negócio que passará a desenvolver vai ajudá-lo na auto-suficiência financeira, sem necessidade de recorrer a roubos e furtos. “Era a falta de ocupação que nos fazia estar sempre nas ruas e fazer mal às pessoas. Pretendo ser um outro jovem, apostando na minha formação e no trabalho”, frisou o jovem.

Tal como apurou o OPAÍS, os primeiros beneficiários do ciclo formativo serão usados, posteriormente, como agentes da mudança na comunidade de forma a ajudar outros jovens a sair da criminalidade. É com este espirito que Daniel Cândido, de 26 anos de idade, pretende ajudar na melhoria da imagem do bairro Belo Monte, de forma a torná-lo numa zona onde, sem medo, as pessoas possam viver e desenvolver a vida.

O também beneficiário do ciclo formativo apontou para a necessidade de expansão de acções formativas, ao nível do bairro que, no seu entender, precisa urgentemente de intervenções do género, para que haja uma redução efectiva dos casos de crimes. “Quanto mais ocupados, menor é a possibilidade de os jovens estarem nas ruas a praticar coisas erradas.

É por isso que pedimos ao governo que construa mais centros no nosso bairro”. de pedintes a geradores de emprego Por seu lado, o secretário de Estado do Trabalho e Segurança Social, Manuel Moreira, disse que o Estado poderá, em breve, criar no bairro mais espaços para acções formativas e assim alargar a quantidade de jovens formados. Neste sentido, apelou aos recém-formados a disciplina e espírito de equipa para fazer com que a oportunidade de formação seja extensiva a todos.

Relativamente aos valores cedidos a crédito, o responsável aconselhou os beneficiários no sentido de honrarem o compromisso com o Banco Sol, para que possam crescer e deixarem de ser pedintes e transformarem-se em empreendedores e geradores de emprego.