Macron já é menos popular do que Trump

as últimas sondagens dão uma aprovação de 25% ao presidente francês, menos 18 pontos do que a do seu homólogo americano. Ontem, o movimento “coletes amarelos” voltou a manifestar-se em Paris contra o aumento do preço dos combustíveis

“É absolutamente verdade que a minha taxa de aprovação caiu porque levei a cabo reformas muito impopulares”, admitiu Emmanuel Macron numa entrevista à CNN no dia 11. O presidente francês lembrou que foi eleito precisamente porque o antecessor, François Hollande, “falhou ou decidiu não implementar essas reformas”. Talvez para facilitar o entendimento do espectador americano, Macron decidiu traçar um paralelismo entre a resposta do povo francês às suas reformas e a primeira reacção à sua relação com a mulher, Brigitte, que conheceu quando tinha 15 anos e ela era professora de Francês, 25 anos mais velha, casada e mãe de três filhos.

“Passei muitos anos sem o respeito de muita gente… mesmo de algumas pessoas de quem gostava e que não perceberam o que eu estava a fazer”, explicou o presidente francês na entrevista a Fareed Zakaria.

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Eleito em Maio de 2017, pouco mais de um ano depois de ter criado o seu próprio movimento político, o centrista, En Marche!, Macron atingia o pico da popularidade no mês seguinte – 64%, segundo um estudo do instituto Ifop , correspondendo à maioria absoluta obtida pelo seu partido no Parlamento. Mas bastou pouco mais de um ano de governação para Macron acusar o desgaste do poder sobre a sua imagem. Em Outubro, um estudo BBVA dava-o pela primeira vez abaixo dos 30%.

Uma tendência descendente que se confirma na última sondagem Ifop para o Le Journal du Dimanche, segundo a qual só 25% dos franceses inquiridos se dizem satisfeitos com a gestão do presidente. O mesmo estudo, realizado online e por telefone entre 9 e 17 de Novembro junto de 1957 pessoas, mostra que os franceses confiam mesmo assim mais em Macron do que confiavam em Hollande na mesma altura do mandato.

Mas Nicolas Sarkozy, antecessor de Hollande no Eliseu, conseguia números melhores – 44%. Consciente da sua falta de popularidade e da resistência que as suas reformas encontram junto dos eleitores, na entrevista à CNN Macron mostrou-se, no entanto, esperançoso de que a opinião sobre as suas políticas venha a mudar, tal como mudaram as opiniões sobre a sua vida pessoal.

“No final de contas, porque [a nossa relação] era sincera, porque estava a ser fiel a mim próprio e nunca desisti, elas acabaram por aceitar a nossa relação. Por isso estou pessoal e firmemente convencido de que os franceses vão gradualmente reconhecer… que estamos a fazer o que é melhor para o país.”

Quando perceberam que o filho tinha uma relação com a professora de Francês, os pais de Emmanuel Macron ficaram em choque e tiraram-no do colégio privado que frequentava em Amiens. E depois de terem tentado afastar Brigitte do filho, os Macron acabaram por mandá-lo para o prestigiado Liceu Henri IV, em Paris. A verdade é que a relação resistiu a tudo. E Emmanuel e Brigitte são casados desde 2007.

Novo protesto dos coletes amarelos

Ontem, Macron enfrentou um novo desafio às suas reformas e à sua popularidade. Uma semana depois de terem mobilizado quase 300 mil manifestantes num protesto contra o aumento dos combustíveis que se tornou violento, fazendo um morto e mais de cem feridos, os coletes amarelos pretendiam reunir-se ontem junto à Torre Eiffel.

Os “coletes amarelos” é um movimento cívico à margem de partidos e sindicatos criado espontaneamente nas redes sociais, em França, e alimentado pelo descontentamento da classe média-baixa. O movimento alargou os protestos contra a carga fiscal em geral, é um novo obstáculo para o governo Macron, que decidiu aumentar os impostos dos combustíveis para promover a transição energética.

O de Paris decretou um aumento dos impostos dos combustíveis de 7,6 cêntimos por litro para o diesel e de 3,9 cêntimos para a gasolina e, a partir de Janeiro, serão aplicadas taxas adicionais a estes produtos de seis e de três cêntimos, respectivamente. Os coletes amarelos, nome alusivo aos coletes fluorescentes que é obrigatório ter no interior dos veículos, têm o apoio de 74% da população francesa, segundo uma sondagem publicada no dia 16.