João Lourenço sossegou BCP sobre saída da Sonangol e não confirma venda da Galp

Presidente não confirma a intenção da Sonangol vender participações na Galp e no BCP. E revelou que tranquilizou responsáveis de um banco sobre o tema. A petrolífera angolana tem 19,5% do BCP, segundo o Observador

O Presidente da República, João Lourenço, tranquilizou o BCP sobre uma eventual saída da petrolífera estatal Sonangol do capital do banco. Em conferência de imprensa no final da sua visita de Estado a Portugal, João Lourenço não confirmou a intenção da Sonangol de vender as suas participações em empresas portuguesas, nomeadamente na Galp e no BCP.

O Presidente clarificou o sentido das palavras que proferiu na entrevista dada na semana passada ao Expresso e assegurou nunca ter falado em vendas de participações e empresas especificamente em Portugal. João Lourenço revelou ainda que tinha sido abordado por uma empresa portuguesa que estava preocupada com a eventual venda da participação detida pela Sonangol.

O Presidente esclareceu que essa empresa era um banco, sem o identificar. A Sonangol só tem capital num banco português, o BCP, onde é o segundo maior acionista com 19,5%. “Há uma empresa portuguesa que me procurou ontem muito preocupada para saber se a Sonangol ia sair ou não e, em princípio, nós sossegámos essa empresa para dormir descansada. Estou a referir- me a um banco”, disse.

Questionado se a Sonangol recebeu ordem para deixar as empresas portuguesas, incluindo a Galp, a resposta foi dada nestes termos. “Nunca alguma autoridade angolana disse que a Sonangol se iria retirar dos negócios em Portugal. Nós falamos no geral. A orientação é que a Sonangol tem, e no quadro da privatização, o que pretendemos fazer é analisar caso a caso, porque a Sonangol está em mais de 100 empresas.

É analisar, caso a caso, em que empresas se deve retirar. Até ao ponto, concluímos que, em princípio, se deve retirar de 52 empresas. Portanto, cerca de metade em que ela está em negócios que não têm a ver com a produção e comercialização do petróleo. Mas nunca nos referimos expressamente a negócios aqui em Portugal”, explicou. João Lourenço não confirmou assim a intenção da petrolífera de sair do capital da Galp onde está presente de forma indireta através de uma parceira com o Grupo Amorim e com Isabel dos Santos, com quem as relações estão cada vez mais más.

A venda da participação na petrolífera portuguesa, no quadro da reestruturação da Sonangol, já tinha sido noticiada pelo Jornal de Negócios este verão, mas não foi confirmada pela empresa.

O tema voltou a ser notícia depois da entrevista ao Expresso da semana passada, Na sequência das declarações do Presidente ao Expresso, e da interpretação dada às suas palavras, o Jornal Económico avançou na edição de Sexta-feira que a petrolífera chinesa Sinopec estava interessada na posição da Sonangol na Galp.

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