May enfrentará hora da verdade em votação do Brexit no Parlamento britânico

Acertar um acordo do Brexit com a União Europeia pode ter sido a parte fácil para a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, uma vez que conseguir aprová-lo num Parlamento dividido promete ser uma batalha muito mais dura.

Por ora, as perspectivas parecem ruins, já que as críticas ao acordo aprovado em Bruxelas no Domingo vêm de todos os lados, inclusive do partido da Irlanda do Norte que sustenta o governo de minoria de May. Mas esta ainda pode ter alguns truques na manga. Ela já colocou em acção os arregimentadores de votos do seu partido, que usarão o seu poder de persuasão para obter o máximo de apoio possível na votação, que deve acontecer nas próximas semanas e ser do tipo tudo ou nada.

Eles e May explorarão o medo que os parlamentares têm de ver as suas carreiras prejudicadas caso se oponham ao pacto de separação e os eleitores os culpem pelo caos económico que empresas e bancos dizem que ocorrerá se o Reino Unido deixar o bloco sem um acordo. May deve dedicar-se a conquistar os parlamentares que representam o meio terreno do seu Partido Conservador — e da oposição trabalhista, cujo líder, Jeremy Corbyn, os exortou a votarem contra o acordo.

As chances de converter radicais, seja do campo pró-UE ou pró- Brexit, são pequenas, mas pode-se tentar, oferecendo incentivos, como cargos no governo, apoio às suas causas favoritas ou ajuda para os seus redutos eleitorais. John Hayes, um parlamentar pró-Brexit, recebeu um título de cavaleiro na Sexta-feira, o que críticos qualificaram como um “gesto de desespero” de May para conquistar oponentes do pacto. “Qual é a coisa que pode garantir uma maioria? Será algo que ajuda os radicais, ou será algo para o ponto de vista mais moderado?”, indagou a parlamentar trabalhista Caroline Flint.

“Existe um grande número de pessoas no meio do caminho, e o desafio para ela é o que ela escolherá”. O Reino Unido deve retirar-se da UE a 29 de Março, quase três anos depois de uma pequena maioria dos britânicos votar a favor da desfiliação num referendo. May e sua equipa esperam conseguir que o pacto combinado com Bruxelas seja aprovado pela câmara baixa de 650 cadeiras do Parlamento apesar de uma recepção hostil na Quinta- feira, quando ela foi incapaz de convencer cépticos para os quais se tratou de uma rendição.