O pano é curto

Há que assumir que não há polícias para tudo. O pano está curto, se tapa a cabeça, deixa os pés ao léu. Agora que o país navega no “modo operações”, as evidências são ainda maiores. Não temos polícias em número suficiente e nem suficientemente bem treinados e culturalmente evoluídos para, ao mesmo tempo, atenderem à luta contra a corrupção, à Operação Transparência e Operação Resgate. Suponho que a Relâmpago já tenha terminado, como deve ser um relâmpago. No cado da “Resgate”, os zungueiros apropriaram-se do lema também e já estão as resgatar as ruas de Luanda. É que o Estado não os vê como consequência de alguma coisa que vai mal e nem como vítimas de um sistema que atira milhões para a pobreza, vê-os como culpados. Não há nada pior, nestes casos, do que culpar os pobres. Eles não têm alternativa e vão agarrar-se até ao fim àquilo que lhes permite a sobrevivência. Dizer apenas que há mercados e eles devem lá ir vender é ridículo na pequenez e na desonestidade intelectual. Há muito mais trabalho por se fazer neste aspecto. Não há operação que resolva. É uma questão de política social do Estado. Por outro lado, enquanto a polícia anda em operações com nomes bonitos, no Kilamba os assaltantes que raptam pessoas até já trazem os seus TPA para verificar os cartões de pagamento automático. O pano é mesmo curto, e os pés ficam ao relento.