Tensão Rússia-Ucrânia. Conselho de Segurança da ONU reúne de emergência

Parlamento da Ucrânia votou esta Segunda-feira a proposta do Presidente para a aplicação da lei marcial. Tensão intensificou-se depois de a Rússia abrir fogo sobre a marinha ucraniana e apreender três dos seus navios, junto à costa da Crimeia.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu- se de emergência esta tarde em Nova Iorque, depois de a Rússia abrir fogo sobre a marinha ucraniana e apreender três dos seus navios, junto à costa da Crimeia. O Presidente da Ucrânia anunciou que vai propôr ao parlamento a aprovação da Lei Marcial, uma medida que deve ser aprovada esta Segunda-feira pela RADA, o Conselho Supremo do país.

Dezenas de manifestantes protestaram em frente à embaixada russa, lançaram granadas de fumo, amontoaram pneus e atearam fogo e deixaram também barcos de papel à porta da embaixada. Petro Poroshenko explicou que a Lei Marcial que deve vigorar durante 60 dias, não inclui a mobilização do exército para já, mas deixa todo o país alerta. A Rússia confirma ter disparado contra as embarcações e ter capturado os três navios ucranianos, mas acusa-os de terem entrado ilegalmente em águas territoriais russas no mar Negro. A NATO já pediu contenção aos dois países. Do lado da União Europeia, a alta representante para a Política Externa, Frederica Mogherini, considera que as tensões na zona aumentaram perigosamente e relembra que Bruxelas não reconhece a anexação ilegal da península da Crimeia.

Sónia Sénica Moura, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais encontra motivos para preocupação neste novo episódio entre russos e ucranianos.

“Neste momento, há três questões aqui a acautelar. Primeiro: perceber se este incidente militar poderá, de alguma forma, degenerar num conflito bélico entre os dois países. Segundo: de que maneira é que a Rússia vai conseguir manter-se firme nesta toma de posição em que reivindica para si um espaço de águas territoriais que estavam a ser – segundo eles – invadidas por navios da marinha ucraniana. Terceiro: Perceber se, de facto, não será aqui o acumular de uma tensão do conflito gerado que se tem sentido nos últimos meses por parte da dificuldade em implementar uma solução pacífica para a questão da Ucrânia a leste, nomeadamente com a implementação e o cumprimento dos acordos de Minsk.”