Afrikkanitha anima centro Camões com noite de trova

A cantora Afrikkanitha considerada pela crítica como um “astro” do Jazz, r&B e Blue, cantou uma vez mais clássicos nacionais e internacionais bem como alguns sucessos do seu reportório

Temas como “Cadeira Vazia”, “Say a Little Prayer”, “Autumn Leaves”, “Pangue Yami”, e muitos outros, poderão ser revisitados pela cantora, acompanhada apenas pelo instrumentista Pedro Aguiar, no violão e contra-baixo, nesta Sexta-feira, 30, às 19 horas, no Camões Centro Cultural Português, em Luanda. A elegância da trova transmitida na singularidade da sua voz são os principais condimentos deste concerto intimista, em que se aguardam bons ritmos na melodia da cantora, que há muito tem vindo a abrilhantar vários palcos no mundo pela sua versatilidade musical.

De nome próprio Eunice José “Afrikkanitha” deu os primeiros passos na música com apenas quatro anos de idade. Aos 15 anos, um amigo introduziu-a no mundo profissional da música, ensinando- a a tocar guitarra e apresentando- lhe a sonoridade mar-cante de Karin White. Entretanto, desistiu de tocar porque a guitarra provocava-lhe bolhas de água nos dedos. Daí ter mantido apenas as aulas de canto com o professor M’Baxi. Em 1991, por ocasião de uma conferência luso-brasileira com o músico Sérgio Ricardo (um dos compositores de Elis Regina), Afrikkanitha subiu ao palco, pela primeira vez. Depois disso, Afrikkanitha nunca mais parou de encantar as plateias. Posteriormente integrou os grupos “Vozes Negras” e “N’Sex Love”, onde explorou, com mais facilidade, os estilos de que realmente gostava, como o R&B, Soul e Jazz.

Outras andanças

Depois de uma passagem pela África do Sul, onde estudou, emigrou para Grenoble, França, no ano 2000. Lá, participou num trabalho com Ray Lema e fez parte do grupo coral de Frank Akoa. Mais tarde, foi a Paris, onde cantou na noite parisiense. Em 2007, gravou o seu primeiro single, intitulado “Kebrando o silêncio” seguido do primeiro álbum, intitulado “Weza” – uma mistura de ritmos africanos fusionados ao Jazz. Em Maio de 2010, partilhou o palco com o pianista holandês Mike Del Ferro, enquan- to gravava o seu segundo álbum – intitulado “Ainda Sonho”. No mesmo ano cantou para Hillary Clinton, no jardim do Palácio Presidencial, aquando da sua visita a Angola. Afrikkanitha é, também, apaixonada pela escrita, o que a inspirou lançar, em 2010, a sua revista “Kanitha Magazine”. Tem ainda um programa de rádio intitulado “Jazz em Casa”, na Rádio Mais, em Luanda.

Conhecida como a “Senhora do Jazz em Angola ” , partilhou várias vezes o palco com Sandra Cordeiro (sua colega e amiga também cantora de afrojazz). Em 2009, abriu o terceiro dia do primeiro Festival Internacional de Jazz de Luanda ao lado de McCoy Tiner, Lira. Trabalhou diversas vezes com Jerónimo Belo, chegando a ser cabeça de cartaz para o Março Jazz Mulher, em 2010. Em 2011, actuou com o fadista Carlos do Carmo, em “Carlos do Carmo e Amigos” e, posteriormente, deslocou- se aos Estados Unidos numa viagem de pesquisa sobre Jazz. Em Maio do mesmo ano, partilhou o palco com a saxofonista Tia Fuller e em Julho, actuou no Cool Jazz Festival em Cascais (Portugal).

Em 2012, partilhou o palco com Cassandra Wilson e, em 2013, actuou em São Paulo no festival de Jazz SESC POMPEÍA e, em Cuba, com a orquestra de jazz dirigida pelo maestro Joaquin Bettencourt. Reside actualmente nos Estados Unidos onde está a concluir um curso superior de Estudos de Jazz. Tem como instrumento primário a voz e está a aprender a tocar piano como segundo instrumento. Brevemente, lançará o seu primeiro projecto Piano & Voz Acústico. Este ano voltou a participar do Festival “Caixa Fado”, tendo partilhado o palco com vozes como Paulo Bragança, Marco Rodrigues, Carminho, Paulo de Carvalho e ainda os com músicos angolanos Anabela Aya e C4 Pedro.