Baixa do preço do petróleo é preocupação geral afirma Comissão de Economia e Finanças do Parlamento

A preocupação com a baixa do preço do petróleo é geral, afirmou a presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional angolana ontem Terça-feira

A presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional angolana disse esta Terça-feira, em Luanda, que é geral a preocupação com a baixa do preço do petróleo, referência para a elaboração do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2019. Ruth Mendes falava aos jornalistas no final da discussão na especialidade realizada esta Terça-feira com representantes governamentais do setor da defesa e segurança, justiça e social.

O Governo angolano projectou o preço do barril de petróleo em 68 dólares como base do OGE para o exercício económico de 2019, por estar abaixo do estimado (70 dólares) por várias organizações financeiras internacionais, disse, na Segundafeira, o secretário de Estado dos Petróleos, Paulino Jerónimo. Questionada sobre o assunto, Ruth Mendes admitiu que “a preocupação é geral”, salientando que, na sessão de segunda- feira, o ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, reservou já um pronunciamento sobre a matéria nas próximas sessões com os deputados.

“Estamos à espera até à aprovação de um parecer. Teremos seguramente alguma posição do executivo e aí poderemos ver qual é a proposta que o executivo poderá trazer”, avançou Ruth Mendes. A presidente da comissão de Economia e Finanças da Assembleia Nacional angolana reiterou que “a preocupação é geral, inclusive do executivo”. “É de todos nós [preocupação], até mesmo do executivo, na aprovação na generalidade do OGE, o ministro das Finanças também referiu essa questão. Na audição que tivemos com a secretária de Estado, ela também referiu que o executivo está preocupado com o facto de o preço do barril do petróleo estar a baixar”, sublinhou.

A deputada acrescentou que, qualquer alteração que se possa vir a fazer ao OGE 2019, “vai depender também da tendência do preço do petróleo nos próximos meses”. “Normalmente há sessões de ‘outlook’, que tratam das questões do preço do petróleo e os seus derivados, e, nessa altura, então, poder-se-á ver qual a tendência do petróleo no próximo ano, uma vez que estamos agora quase em Dezembro, e qual será a posição que o executivo poderá tomar, para podermos reagir”, frisou.

Na Segunda-feira, o secretário de Estado para os Petróleos, questionado pela Lusa sobre o OGE para 2019, actualmente em discussão na especialidade no parlamento e que será votado a 14 de Dezembro, se pode obrigar a uma correção dos números, Paulino Jerónimo indicou que o Governo de Luanda está a tomar um conjunto de medidas para a diversificação económica, para que o petróleo “possa, no futuro, empatar menos o normal funcionamento da economia”. Jerónimo Paulino defendeu, porém, ser necessário aguardar pela reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), prevista para 6 de Dezembro, para se ter uma ideia clara sobre o que pode ser feito.

“O preço do barril de petróleo tem estado a oscilar, nunca temos um preço em definitivo. O OGE (para 2019) foi projetado com base num preço de referência de 68 dólares, e isso porquê? Porque todas as empresas que fazem avaliação do preço indicavam que o petróleo estaria no mínimo a 70 dólares, incluindo o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BM (Banco Mundial). Daí os 68 dólares”, explicou. Na altura em que o Governo angolano apresentou no parlamento a proposta do OGE, os mercados internacionais ainda transacionavam o preço do barril de petróleo em torno dos 80 dólares, tendo, desde então, descido significativamente, estando na manhã de ontem o brent, o de referência para Angola, cotado nos 59,56 dólares.