Visto ou incentivo?

Angola elaborou uma lista de cinquenta e quatro produtos que fi cam sob observação comercial. Mais ou menos isso, foi assim que entendi. Os congéneres desses produtos com origem estrangeira fi cam a precisar de visto de entrada mais difícil, ou seja, o Estado pretende substituir a sua importação porque julga que já há produção sufi ciente cá dentro. Tudo bem, embora me cheire a proteccionismo, o que também não seria mau de todo.

O problema, porém, está no que protegemos. Na lista dos cinquenta e quatro “bons”, protegemos o quê exactamente? A ideia, dirão de imediato os seus autores, é algo mais do que proteger, potenciar a produção local. Também concordo, mas não em tudo. Para proteger era preciso que houvesse produção em grande escala, para potenciar, era preciso que o Estado adoptasse políticas sérias de incentivo e de crédito à economia.

E também de incentivo ao consumo da produção nacional, ou seja, deve-se ir até ao crédito ao consumidor e fazer- se uma aposta séria na qualidade dos nossos produtos. Estamos numa economia de mercado, que se quer competitiva e em que o consumidor não deve ser obrigado a ficar com o que não quer ou que julgue ter menos qualidade, também não entendo medidas protecionistas ao meso tempo em que se discursa a abertura do mercado e da economia em Angola.

Há só uma forma de proteger a nossa economia no estado em que está: apostar nela e testá-la com a concorrência estrangeira. É só ver como os chineses já se viraram para o campo em Angola, quais estradas estragadas, quais quê. É só olhar para as oportunidades do mercado e apostar.