Jovem morto por tentar cobrar 1000 Kwanzas

Teixeira Mbante, de 23 anos, foi morto, na Sexta-feira, por um adolescente de 16 anos, no momento em que se dirigia à casa deste, alegadamente com o propósito de pedir desculpas por uma briga que tiveram horas antes por causa de 1000 Kwanzas.

A vítima, que deixou dois filhos, deslocara-se à residência do seu vizinho a quem havia emprestado, dias antes, 1000 Kwanzas, localizada no bairro Dangereux, município de Talatona, com o intuito de reaver os seus montantes. No entanto, encontrou no local o adolescente Conde Bento Morais que se intrometeu na conversa do malogrado com o devedor, proferindo injúrias, de acordo com Mariquinha Quiteke, mãe do malogrado. Em declarações a OPAÍS, contou que Teixeira João Joaquim Mbante, na qualidade de mais velho, procurou chamar o adolescente à razão, mas este ter-se-á atirado contra ele, o que os levou a enveredarem pelas agressões físicas.

Depois disso, Teixeira Mbante, mais conhecido por Pastor, regressou à sua residência sem receber de volta o dinheiro. Passado algum tempo, Mariquinha Quiteke diz que uma das suas vizinhas, identificada apenas por Abi, com os “nervos a flor da pele”, irrompeu pela porta da sua casa e sem proferir as cordiais saudações indagou-a sobre o paradeiro do seu filho. A Abi, segundo a nossa interlocutora, advertiu que o seu filho haveria de pagar pelo ferimento que causara ao seu irmão, Conde Morais. Tentando evitar o pior, sem sequer imaginar o que estava por vir, a dona Mariquinha orientou a uma das suas netas que levasse o adolescente ao posto médico mais próximo de casa.

Atendendo à escassez de fármacos, deu-lhe um frasco de betadine, solução cutânea (indicado para desinfectar e tratar vários tipos de feridas) e 1000 Kwanzas para pagar a vacina contra o tétano que iria ser aplicada no posto médico. Minutos depois, a neta regressou à casa com o dinheiro porque os familiares do adolescente terão alegado que não havia necessidade de tomar a vacina. Diante desta situação, Mariquinha Quiteke aconselhou o seu filho a ir desculpar-se diante do adolescente e dos seus parentes, por se queixar que havia sido ameaçado pessoalmente. Em companhia do seu irmão menor e de um dos seus sobrinhos, dirigiu-se à casa dos pais de Conde Morais com esse propósito, tendo encontrado a mãe, uma das irmãs e uma tia deste.

No momento em que Pastor explicava os motivos da briga e manifestava o seu arrependimento, foi interrompido pela tia do adolescente, manifestando que não aceitava o pedido de desculpa. Do interior da sala, Conde Morais terá reafirmado que o assunto não ficaria ultrapassado. De seguida, saiu empunhado uma faca e disferiu três golpes ao Pastor. Dois nas costas e um no abdómem, sem lhe dar tempo de se defender. O Pastor caiu no chão e o adolescente meteu-se em fuga, sob o olhar incrédulo dos presentes. A informação espalhou-se pelo bairro. Os vizinhos inconformados passaram “o bairro a pente fino” à procura do suposto agressor. Assim que o localizaram, o levaram ao Posto de Polícia mais próximo do bairro. Gomes Bento, tio do acusado, confirmou a detenção do adolescente, mas disse desconhecer as razões que o levou a matar o outro. Inconsolável, Mariquinha Quiteke clama por justiça. “Quero que a justiça seja feita, o meu filho deixou dois filhos. Quem vai sustentar os filhos, sendo que eu também dependia da ajuda dele”, disse.