O nosso papel

O nosso papel verdadeiro é de informar, antes de mais nada. É para isso que existimos. E nestes dias de crise geral, que atingiu também a obtenção de papel de jornal, não esmorecemos porque a tecnologia, felizmente, nos permite chegar ao mundo com apenas um click. Mas, apesar de termos alcançado um universo maior de leitores nos últimos dias por via electrónica, também todos os dias somos questionados sobre o jornal físico. Governantes, deputados, empresários, activitas, amigos, familiares. “li o PDF, mas onde está o físico? O que foi que vos aconteceu? Têm makas com o Governo?” Não, nada disso, apenas a burocracia está a ser mais dura do que o esperado. O papel vem a caminho e daqui a pouco estaremos de volta pelas mãos dos ardinas e nas bancas. No entanto, fica a satisfação com a preocupação das pessoas, por sentirem a falta de nós em papel. É no que dá, um país que já teve o segundo maior eucaliptal do mundo, e ainda o deve ter, e não produz papel. Por outro lado, a preocupação manifestada por políticos, activistas angolanos e por diplomatas estrangeiros testemunha a responsabilidade que carregamos como jornal diário na construção da democracia angolana. Há já pequenos sinais de alarme que não se escondem nalguns pronunciamentos e abordagens, temese que Angola volte a ter um único jornal diário, o que para alguns seria um retrocesso na democracia, no direito á informação livre e plural, na liberdade de imprensa. Felizmente não é disso que se trata, até onde podemos afirmar. Apenas a nossa impertinente burocracia que o governo pretende combater, também tem culpas no cartório. De qualquer forma, dependendo de nós, OPAÍS continua a ser lido todos os dias. Narrar é o nosso verdadeiro papel.