Comissão de gestão da ASCOFA desqualifica recondução de Samora

Inconformado com a sua destituição, o antigo presidente da Associação dos ex-Combatentes das ex-FAPLA (ASCOFA), António Fernando (Samora), realizou uma assembleia extraordinária no dia 26 deste mês, tendo sido reconduzido para mais um mandato de cinco anos, em acto foi contestado pela comissão de gestão

Em conferência de imprensa realizada nesta Quarta-feira, 28, a comissão de gestão da ASCOFA desqualificou a assembleia-geral realizada pelo destituído presidente António Fernando (Samora), que o reconduziu para mais um mandato de cinco anos à frente desta associação. O coordenador da comissão de gestão da ASCOFA, coronel reformado Caetano Marcolino, disse ser ilegal a assembleia-geral realizada por Samora no dia 26 de Novembro, por falta de um “respaldo de legalidade jurídica, moral e política”. “Esta assembleia é provida de inverdades, e sem qualquer sustentabilidade de justiça, transparência, de quórum dos associados, dos membros de direcção, e homologação das instâncias de direito”, sustentou.

Informou que a verdadeira primeira assembleia-geral ordinária está marcada para 19 de Janeiro do próximo ano, à luz dos estatutos que regem esta agremiação dos ex-militares das FAPLA, antigo braço armado do MPLA. Segundo Caetano Marcolino, António Samora ao realizar esta assembleia, “violou gravemente os estatutos, confundindo a opinião pública”, e coagiu os delegados provinciais com o propósito de continuar à frente da ASCOFA que liderou por 17 anos. Fez saber que estão em marcha vários processos crime no Serviço de Investigação Criminal(SIC) e na Procuradoria Geral da República(PGR) que apontam haver indícios de práticas de crimes por parte de António Samora.

Causas de uma destituição

Contra António Samora pendem acusações de má gestão, desvio de fundos, apropriação de bens provenientes do Instituto de Reintegração Social dos Ex-militares (IRSEM), para apoiar os mesmos e suas respectivas famílias, o de apresentação de documentos e inserção de dados estatísticos falsos, dos membros que integram a referida colectividade. Fazem parte da acusação ainda, a não apresentação de relatórios de prestação de contas referentes aos pagamentos das quotas desde a criação da ASCOFA, falsificação das contas bancárias da agremiação, bem como de apropriação da dotação orçamental proveniente do ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria destinados aos pagamentos de subsídios dos ex-miltares.

Consta também nos motivos que levaram à destituição de António Fernando “Samora” o alegado roubo de sete viaturas designadas a apoiar os seus associados, atribuição de residências a pessoas próximas de si em projecto habitacional aos membros, o desvio das viaturas que constituíam a cooperativa de táxis, tal como a sua venda na República Democrática do Congo, segundo um documento lido em conferência de imprensa. Entre os desvios feitos, segundo a missiva, regista-se ainda seis toneladas de produtos alimentícios diversos, atribuídos trimestralmente pela base logística das Forças Armadas Angolanas, 80 milhões de kwanzas que serviriam para compra de kits agrícolas e industriais. É também acusado de ostentação indevida da patente de brigadeiro, enquanto dados da Direcção Principal de Pessoal de Quadros das Forças Armadas atestam que António Fernando é capitão com o número de identificação pessoal 89403920 ordem 817/2011. Em declarações à imprensa, o coordenador-adjunto da comissão de gestão, Caetano Marcolino, explicou que vão trabalhar para que até finais de Janeiro do próximo ano se possa criar condições para a realização da assembleia de renovação de mandatos.

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