“Nascer Livre para Brilhar” atrai apoios na cerimónia do lançamento

Trata-se de uma campanha liderada pela Primeira-dama de Angola, Ana Dias Lourenço, com vista a reduzir a transmissão vertical do VIH-SIDA de mãe para filho, cujo impacto de sensibilidade moveu, na hora, instituições como a Embaixada da China, Chevron, OMATAPALO, Banco BAI, Faculdade de Medicina e outras a anunciarem já seus apoios, financeiros e científicos

A líder da Campanha Nascer Livre para Brilhar, Ana Dias Lourenço, procedeu ao lançamento do referido programa, ontem, na Escola Nacional de Administração (ENAD), em Luanda, marcada com a prontidão de apoio manifestada por dirigentes das organizações acimas referidas e da sociedade civil aí representada. O primeiro gesto do género foi feito pelo coordenador residente das Nações Unidas em Angola, Pier Paolo Balladelli, que assegurou o apoio incondicional desta organização internacional às primeiras damas africanas.

Em seguida, o embaixador chinês, Cui Aimin, ofereceu um cheque de dez mil Dólares americanos para ajudar a causa. Cui Aimin garantiu, expressando- se em Mandarin, prontamente traduzido por um dos seus assessores, que a China está ainda disposta à apoiar na implementação de estudos sobre a doença, disponibilidade de médicos e outras doações para assegurar a prossecução da campanha. A formação de quadros foi outro aspecto referenciado pelo embaixador chinês. Tarefa delicada teve o governador da Huíla, Luís Manuel da Fonseca Nunes, que, mantendo em si a convivência das funções de Chefe do Executivo provincial e representante da Construtora OMATAPALO, superou o suposto condicionalismo para anunciar que a sua empresa estava disposta a apoiar a Campanha Nascer Livre para Brilhar.

A Faculdade de Medicina, por via do seu decano Santos Morais Nicolau, comprometeu-se a prestar auxílio no que toca a subsídios científicos, afirmando que, apesar de o seu estabelecimento de ensino não possuir dinheiro, pode disponibilizar recursos humanos capazes de orientar e cooperar com o saber. Pela Chevron, Luena Sebastião assumiu o compromisso como parceiro, ao ponto de declarar que estavam dispostos a trabalhar com a Primeira-dama, aproveitando- se dos variados recursos de que a sua empresa dispõe. Ana Dias Lourenço, para quem o alcance das metas e o sucesso do plano em causa depende de um pacto com todos os sectores da sociedade angolana, pediu o compromisso de cada um, o empenho no trabalho e a liderança, para o garante da eficácia e da sustentabilidade do programa que visa salvar crianças, adolescentes e adultos.

Garantiu, igualmente, que, na condição de Primeira-dama do país e líder da campanha, fica para si a responsabilidade de advocacia junto do poder político e de apoio à monitorização do Plano de Aceleração do Combate ao VIHSIDA 2019-2022, além da participação activa na sensibilização da sociedade.“É meu objectivo que esta Campanha não seja restrita a acções de informação e publicidade sobre o tema, daí que apelo a cada um de nós a fazer a sua parte, no seu trabalho, na sua família, na sua igreja, na sua comunidade e entre os seus amigos, apoie e dê a sua contribuição, para que as nossas crianças nasçam livres do VIH e livres para brilhar”, realçou a responsável, tendo desafiado os presentes na cerimónia a mobilizarem, sensibilizarem e motivarem as comunidades para a realização do teste, acompanhamento e apoio após o diagnóstico.Por fim, pediu, carinhosamente, às mulheres grávidas para fazerem o teste do VIH, a fim de que os seus filhos nasçam livres para brilhar.

Surgimento da Campanha

A triste realidade da estimativa que aponta cerca de 2, 1 milhões de crianças a viverem com o VIH, sendo 1,4 destes na África Subsahariana, bem como as da ONUSIDA, em África, segundo as quais em cada ano se regista cerca de 110 mil novas infecções em crianças e 49 mil que morrem de doenças relacionadas com a SIDA, além de, na nossa região, apenas 51 por cento dos infantis que vivem com o referido vírus receberem tratamento com anti-retrovirais, enquanto 50 por cento das crianças com VIH morreram até dois anos de idade motivou os Chefes de Estado africanos a assumirem o compromisso de eliminar a SIDA como problema de saúde pública no continente.

Esta vontade dos estadistas africanos aconteceu na ocasião da 29ª Assembleia Geral da União Africana, em que se decidiu a erradicação da doença na criança até 2030, pela eliminação da transmissão mãe-para filho do VIH e manter as mães saudáveis. É, justamente, para alcançar estas metas que a Organização das Primeiras Damas Africanas para a Luta contra o VIH-SIDA (OAFLA) abraçou este compromisso e lançou a Campanha Free to “Shine” que, no nosso país, se traduziu para “Nascer Livre para Brilhar”. “A Campanha visa trazer à consciência e priorizar esta problemática vivida por todos os países do continente e reforçar a obrigação política das Nações Africanas”, reforçou a Primeira- dama de Angola.