Exposição “Escravo XXI” traz reflexão sobre o uso das tecnologias

Preocupados com o envolvimento “intérmino” da sociedade com as novas tecnologias, artistas do Atelier Mawete sentiram a necessidade de, através de uma exposição de Arte Contemporânea denominada “Escravo XXI”, alertar a população sobre um novo modelo de escravidão

POR: Adjelson Coimbra

A exposição colectiva intitulada ”Escravo XXI”, que reúne mais de 20 obras, está patente na Ar-ma galeria, em Luanda, desde 17 de Novembro, com duração de trinta dias. A amostra composta por obras de Sérgio, Pemba da Silva e Kissolokele é um desafio aos artistas plásticos do Atelier Mawete, que através do discurso visual propõem uma reflexão sobre a liberdade e a condição humana nos dias de hoje. A artista plástica Pemba da Silva, nesta exposição apresenta obras que abordam a velocidade do Androide.

Em conversa com OPAÍS, referiu que o presente trabalho visa despertar a sociedade sobre a escravidão das novas tecnologias, de que ela também é alvo. “À medida em que o mundo vai evoluindo, a ciência e a tecnologia também vão evoluindo. Não se trata da velocidade literalmente, mas sim da rapidez comunicacional que estes dispositivos têm”, explicou. De acordo com a artista, actualmente os seres humanos estão a tornar-se escravos das novas tecnologias, e o uso excessivo faz com que sejam cativos da modernidade.

A artista achou preocupante o facto de muitas famílias, hoje em dia, optarem em resolver certos assuntos via telefone, e não presencial, conforme acontecia anteriormente. “As minhas obras têm um único tema: a Velocidade, em diferentes versões, até a sétima. Acontece que o pensamento está voltado para as redes. Falamos rede, pensamos rede e respiramos rede. Até as sanitas que usamos são tecnológicas”, observou.

Visitas as bibliotecas

Pemba da Silva considera preocupante a pouca frequência dos jovens nas bibliotecas, ressaltando que com o avanço tecnológico um conjunto de cinco bibliotecas podem caber num só telefone. A artista considera ainda inquietante o facto de muitas crianças não saberem redigir uma carta, mas trabalharem naturalmente com os telefones e outros meios tecnológicos. “Antigamente, éramos escravizados por pessoas, mas hoje estamos ser escravizados pelas tecnologias. Hoje, muitos não conseguem ficar com telefone sem acesso às redes sociais”, sublinhou. A administradora adjunta da Ar-ma galeria, Cristiane Silvestre, considerou a exposição relevante, pelo facto de levar a população a reflectir sobre o uso excessivo das tecnologias. “Desde que nós chegamos ao mundo não paramos de ser escravos. Estamos no século XXI e ainda somos escravos das novas tecnologias. Continuamos na verdade presos”, rematou.

A artista plástica

Pemba Kingalu Joselyna da Silva nasceu em Dezembro de 1991 em Luanda. Cresceu no seio de numa família modesta oriunda do Norte de Angola. Estudou na República Democrática do Congo, um país que escolheu como segunda pátria. Foi em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, que estudou e frequentou seus primeiros cursos em Artes Visuais. Actualmente é membro do colectivo Sakana Na Art, colectivo Zayi e Atelier Mawete.