Moxico testemunha partida do “nascer livre para Brilhar”

A cerimónia que aconteceu ontem, na ocasião do 30º aniversário do Dia Mundial de Luta contra a SIDA, teve como mote o apelo à testagem voluntária e ao respectivo tratamento no caso de resultado positivo

Texto de: Alberto Bambi

Foi diante de um grande laço de solidariedade humana concentrado em pleno Estádio do Mundunduleno, no Luena, província do Moxico, que a Primeira-dama de Angola, Ana Dias Lourenço, expressou o engajamento dos angolanos em prol das pessoas que vivem com o VIH.

“Em conjunto com outras primeiras damas do continente africano, decidimos ser uma voz enérgica e de esperança para os cidadãos que vivem com o Vírus de Imunodeficiência Humana, principalmente as mulheres grávidas, às quais dirijo um apelo e uma mensagem de esperança, segundo a qual, se estás grávida, faz o teste do VIH e, se este for positivo, faz o tratamento”, apelou a Primeira-dama, sublinhando que o bebé tem o direito de nascer livre da doença.

Aliás, é a protecção dos recémnascidos de mães seropositivas que a Campanha “Nascer Livre para Brilhar” defende, embora a aquisição de uma vida saudável e sustentável por parte das progenitoras seja outra meta do programa.

Dirigindo-se aos jovens presentes no maior acto de solidariedade de luta contra a SIDA, entre os que já se realizaram em Angola, a líder da campanha pediu que fossem responsáveis, de modo a procurarem informarse ao máximo sobre a doença, ao ponto de se tornarem educadores ou mobilizadores, divulgando modalidades que promovam o acesso aos serviços de educação sexual e reprodutiva.

Pediu, igualmente, à classe juvenil, para evitar a gravidez precoce, a fim de poderem brilhar e tornarem-se felizes, por serem o garante do progresso e do desenvolvimento sustentável de Angola.

Ana Dias Lourenço referiu-se à apresentação da Campanha Nascer Livre para Brilhar ocorrida em Luanda, na Quinta-feira passada, para dizer que a causa conseguiu juntar responsáveis do Governo de Angola, membros da sociedade civil, universidades, embaixadores, instituições públicas e privadas e distintas personalidades da sociedade angolana, além de dirigentes e técnicos de saúde, muitos dos quais reafirmaram, no Moxico, o seu engajamento e compromisso com a referida causa.

A presidente do acto sublinhou que é, fundamentalmente, na base da confiança e da responsabilidade individual que se pode vencer, pois acredita no sucesso do programa que lidera e que todos vão trabalhar para a implementação do Plano nacional de Aceleração do Combate ao VIH-SIDA 2019-2022. “A meta nuclear desta campanha é reduzir para metade, até 2022, a taxa de transmissão do VIH de mãe para filho”, rematou.

Evitar desprezo aos doentes

Ao intervir, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta começou por dizer que a moldura humana presente no Luena tinha como propósito mostrar ao país e ao mundo o compromisso para com um futuro livre do VIH a SIDA em que as crianças possam nascer e crescer sem estigma dessa doença.

Recordou a máxima “noventanoventa-noventa”, cuja meta consiste em garantir que 90 por cento das pessoas que vivem com o VIH conheçam o seu estado serológico, 90 por cento de pessoas diagnosticadas com o vírus recebam terapia anti-retroviral e outros 90 por cento dos que vivem com o VIH e estão em tratamento atinjam a supressão da carga viral.

Sílvia Lutucuta recomendou, finalmente, a necessidade de apoiar moralmente as pessoas que vivem com a SIDA, de modo a não se sentirem marginalizadas. Não desprezar os afectados por esta doença deve ser tarefa para cada cidadão, segundo a ministra, a fim de não se inibirem as outras que se encontram na mesma condição de fazer o teste da SIDA.

Esta ideia foi reforçada pelo governador do Moxico, Gonçalves Muandumba, que realçou como dever moral de cada um a missão de informar e sensibilizar, contribuindo, dessa forma, para o êxito da campanha, um compromisso que assumiu, em seu e em nome do povo do Moxico.