Colectânea “Cultura Clandestina” junta rappers de seis países lusófonos

“Cultura Clandestina” é a designação da colectânea musical do estilo rap, em alusão aos seis anos de existência do site “Underground Lusófono”

Texto de: Jorge Fernandes

Com 15 faixas musicais a colectânea “Cultura Clandestina”, que junta artistas de seis países lusófonos, estará disponibilizada a partir desta Terça-feira, 4, no site www.undergrounlusofono. com, segundo informou a OPAÍS, o editor-chefe da aplicação, Carylson Alberto. Segundo o responsável, integram este projecto os rappers Kid MC, Khris MC, Luso, Yunami (Holokhausto MC), Shak Shura, Bruno Love, Lizzy, Underkeys e Fat Soldiers (Angola), Mynda Guevara, Pulga Phil M e Bráulio Pitra (Portugal).

Fazem parte da iniciativa N.I.Abensuod, Verss, Denise LBP (Cabo-verde), Órbita, Hot Skillz, Chyller (Moçambique), Rashid, ISSa Paz, Coro de Rato, A Máfia, Cintia Savoli (Brasil) e Pekagboom que provêm de São Tomé e Príncipe. Carylson Alberto explica que, com esta colectânea visa celebrar os seis anos de existência do site e propõem-se unir rappers de países diferentes na mesma música dos mais “destacados”, de modo a promover o intercâmbio entre os artistas.

Objectivos Um dos principais objectivos é dar mais “movimento” ao movimento Hip-Hop, mudando a “máscara” do Rap construído pelos meios de comunicação social, abrindo-se conexões com o intuito de colocar os rappers mais unidos.

“Por que é com o Rap que temos a liberdade de fazer críticas sociais para o bem de uma comunidade, porque foi para isso que ele surgiu”, defende o mentor da iniciativa. Questionado sobre os motivos que levaram à designação do projecto de “Cultura Clandestina”, alude que o Hip-Hop é uma cultura e por ter a essência que tem, até hoje é mal conotado, não ficando o rap de fora.

“Chamamos clandestino algo feito em que as pessoas não se apercebem, logo, a mídia mais uma vez torna clandestino o rap que eles não querem que exista. Rap que ajuda as pessoas a se libertarem das correntes da alienação. Pois de certeza que a mídia não fará dinheiro com um projecto desse género”, justificou.

Estado do Rap

O também bloguer foi peremptório em afirmar que o estado do Rap em Angola é crítico. Actualmente, segundo considera, o estilo está em declínio e não irá melhorar tão cedo, de acordo com as suas estatísticas.

“O Hip-Hop tem origem africana e agora está de regresso, mais alterado e americanizado. Nos Estados Unidos da América, o Hip-Hop nasceu da contestação política e social do sistema norte-americano. E no Rap, as suas letras constituíam, nesse tempo, uma crítica radical com preocupações sociais profundas”, defende.

Entretanto, a indústria discográfica alterou profundamente esse carácter irreverente do Rap. Recuperou as músicas, esvaziou as letras, mascarou os artistas e substituiu a crítica social por um estereótipo feito de adereços exteriores.

Projectos

Em função dos projectos anteriores lançados pelo site Underground Lusófono, em volumes crescentes, depois do projecto “6 anos de cultura clandestina”, os mentores pensam na continuidade das iniciativas “Vozes da CPLP Vol.

4”; “2 Países 1 Causa” bem como estão já a trabalhar no primeiro álbum de originais do Underground Lusófono. De salientar que constam desteprojecto “Cultura Clansdestina”, temas como “Portas fechadas”, “Cadê o amor”, “O rap não escolhe género”, “Manhã Negra”, “Uma esperança”, “Filho do camponês”, “Vida preta do negro e tantas outras.

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