Comunicação, Estado e democracia

“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até à morte o direito de você dizê-las”- Esta frase é atribuída a Voltaire, filósofo francês, mesmo sem ter sido dita ou escrita por ele.

Por: José Kaliengue

De qualquer forma, não entrando em ensaios literários ou filosóficos, ela mantém-se actual como um dos pilares do pensamento e da prática em democracia. Nas sociedades modernas, a defesa da liberdade de expressão e de pensamento passa muito pelo papel da comunicação social.

É mais do que sabido que não existe democracia verdadeira sem uma comunicação social plural, livre e independente. E nisto, queira-se ou não, os jornais têm um papel ímpar, talvez por terem sido o primeiro veículo “formal” de notícias e do debate democrático.

Em Angola, estamos a viver um momento político em que é absolutamente imperioso defender a liberdade de expressão e de informação.

Não se pode dizer que haja um ataque deliberado à comunicação social ou a alguns órgãos de comunicação social, no entanto, o debate político está a tornar-se pesado e é nestes momentos que aparecem os extremistas, sobretudo os de última hora.

Neste momento de reformas políticas, qualquer chamada de atenção pode ser mal interpretada, ainda que com razão, porque o comboio está largado e em andamento, mas é necessário que circule apenas sobre os carris.

A coberto dos novos tempos temos, no entanto, visto jornais com manchetes meramente ofensivas ao bom nome e à imagem de algumas pessoas. Está no seu direito fazerem o jornalismo que entendam, mas esse direito tem de ser defendido com o direito do cidadão ter acesso a notícias e opiniões produzidas por um jornalismo mais responsável e sério.

Neste aspecto, embora não devendo intrometer-se nas questões editoriais, o Estado tem o dever de defender e apoiar a imprensa, e também, por que não, as marcas da nossa comunicação que são já património da nossa democracia.