Energia eléctrica ‘faz refém’ o desenvolvimento do Waku Kungo

Em entrevista exclusiva a OPAÍS, a administradora municipal da Cela, Amélia Russo, disse que um dos problemas que mais afligem a população do Waku Kungo é o das vias de acesso, secundárias e terciárias, que se encontram em elevado estado de degradação

texto: Maria Teixeira, enviada ao Waku Kungo
fotos: Lito Cahongolo

São inúmeros os problemas que afligem a população da cidade de Waku Kungo, sede do município da Cela, na província do Cuanza-Sul, desde as condições das estradas, passando pela falta de energia eléctrica e saneamento básico, entre outros. OPAÍS constatou ‘in loco’ as dificuldades por que passam os moradores, com maior ênfase para a falta de energia eléctrica, que coloca o município na linha de trás do desenvolvimento sócio-económico.

De acordo com a administradora da Cela, Amélia Russo, no Waku Kungo, por ser um município com grandes potencialidades agropecuárias, não pode ficar comprometido o escoamento desses produtos para a sua comercialização pelas condições das vias, tal como tem acontecido, e nem o seu desenvolvimento deve ser impedido pela falta de energia eléctrica. Waku Kungo sobrevive de geradores, pelo que constitui preocupação da administração da Cela a reabilitação do sistema de fornecimento de corrente eléctrica à cidade, dado que o actual “apagão” dificulta o surgimento de novos serviços e de investimentos na própria agroindústria.

O projecto de electrificação da cidade do ‘Waku’, a partir do Aproveitamento Hidro-eléctrico de Laúca, é uma batalha aguardada por todos. Os munícipes enfrentam inúmeras dificuldades de energia eléctrica, porque dependem de grupos geradores e com o crescimento populacional que se regista na cidade (570 mil habitantes), os grupos geradores não são quanto baste.

A boa-nova é que, nos próximos tempos, a depender da conclusão do projecto de electrificação do Waku Kungo a partir de Laúca, a situação pode ser invertida. “Temos tido avarias no grupo de geradores e, muitas vezes, não há técnicos capacitados aqui para superar o problema. Muitas vezes, os técnicos têm de vir de Luanda, depois, é preciso fazer os pagamentos e, às vezes, não tem havido possibilidades, porque são gastos muito elevados”, disse. Acrescentou que “está a chegara energia de Laúca, a sub-estação está a ser concluída e a electrificação da cidade está a ser feita. Recebemos um gerador de 1000 Kva, que já faz parte do pacote de energia de Laúca, mas que ainda não está a ser usado devido a problemas técnicos e este ajudará enquanto não chega a energia de Laúca”.

Desenvolvimento dependente Por falta de energia eléctrica, muitos empresários fecharam os seus estabelecimentos, segundo conta Amélia Russo, adiando assim o desenvolvimento económico do município. Muitos, por causa do momento que atravessamos, fecharam os hotéis e outros estabelecimentos, como a Shoprite, por exemplo, que apesar de ter pegado fogo, os donos apenas pretendem restabelecer quando tivermos energia eléctrica da rede. Muita coisa, para voltar a funcionar, depende da energia. E ao chegar a energia o município vai dar um salto qualitativo e aparecerão muitos investidores, segundo a dirigente. Mesmo as fábricas que ainda operam trabalham com geradores e os custos são elevadíssimos.