Uma organização conduzida pelos dados (data-driven organization)

A pressão para melhorar a eficiência operacional, aumentar o crescimento, proteger a margem, desenvolver novos produtos e serviços, estar atento à concorrência, conhecer melhor os seus clientes, entre outros, são exemplos de factores aos quais as empresas em mercados competitivos estão “agressivamente” expostas.

Por: Pedro Novo

Não há precedentes para o ritmo constante de mudança que está a ocorrer em todos os sectores. A automatização, robotização, inteligência artificial e outras tecnologias levam a uma crescente digitalização do negócio trazendo muitas vezes disrupção nos respectivos modelos de negócios e nas propostas de valor das próprias empresas.

Estas forças levam as organizações a serem mais ágeis, mais centradas no cliente, mais responsivas, mais digitais e transparentes em relação aos stakeholders e ao mercado em geral. Essa estrutura desafia o status quo e impulsiona mudanças na capacidade analítica das organizações para aproveitar ao máximo um dos seus principais activos – os dados – para uma melhor compreensão do contexto e um processo de tomada de decisão mais ágil e consistente.

Num estudo levado a cabo pela EY em conjunto com a Forbes através de um questionário a 1518 executivos, mostra que 70% das empresas Top-Performers utilizam análises avançadas para reformular negócios, estratégias e repensar a forma como se posicionam nos mercados onde competem. Os dados povoam todas as organizações e estão contidos nas várias áreas funcionais.

A título de exemplo o marketing terá dados sobre a evolução das vendas, os principais clientes, os produtos ou serviços mais vendidos, o comportamento da concorrência e a evolução dos gostos do mercado.

A manutenção terá informação sobre a vida útil de cada equipamento, as intervenções de manutenção e respectivas tipologias (preventivas, correctivas ou outras).

A produção conhecerá qual o respectivo planeamento, taxas de ocupação de equipamento, eficiência e eficácia (habitualmente medidas via OEE). Mais uma vez, o estudo EY-Forbes demonstra que 75% dos líderes, nas suas respectivas áreas de negócio, conseguem medir com precisão o valor, validade e impacto dos seus investimentos com base em análises avançadas prévias.

Devidamente trabalhados, estes dados contêm informação de elevado potencial e valor acrescentado para as suas organizações. Eles permitirão às organizações mudarem o paradigma de gestão habitual – de gestão das actividades correntes e de resolução de problemas passados (correndo para apagar um ou outro ‘fogo’ mais ou menos urgente e mais ou menos recorrente) para um outro paradigma: O da gestão por antecipação dos principais vectores de negócio, antecipação de tendências de mercado, antecipação de quebras de equipamento, modelos de optimização de inventários, antecipação de problemas de working capital, cenarização de alternativas de planeamento,…

Neste ambiente quotidiano de constante mudança os ganhos em agilidade, em eficiência e em qualidade de serviço, têm facilitado a entrada de tecnologias como a robotização / automatização de processos, cloud, machine learning e inteligência artificial nas empresas Portuguesas.

A democratização, agilidade e valores associados a estas tecnologias abrem novos horizontes às empresas para melhorar o grau de preparação para competir, independentemente da respectivas escala, a nível internacional.

O mercado dá já mostras de que as empresas que não aderirem à nova onda do Advanced Analytics ficarão rapidamente atrás daquelas que o incorporarem na sua cultura, no seu DNA e nos seus processos diários de decisão. O futuro é hoje!!! *Executive director EY, Advisory