“Erros de Produção Musical nocivos à saúde auditiva”, alerta produtor

O mercado da produção musical está cada vez mais concorrido. Geralmente, quem se dedica à profissão são indivíduos que aprenderam-na por curiosidade. O que não se sabe é que erros cometidos neste tipo de trabalho afectam a saúde auditiva, como alerta o jovem produtor musical Sabath Quarenta

POR: Adjelson Coimbra

“Música muito boa. Tem uma mensagem excelente. Realmente ele é um bom artista. Magistral”, são os comentários que se ouvem dos fãs de “boas músicas”. Sem nos esquecermos dos melomaníacos, pessoas cujo amor pela música é transcendental. Essas músicas, por mais que sejam “boas” de se ouvir, podem ser, simultaneamente, prejudiciais à saúde auditiva. Entretanto, face a essa situação, OPAÍS conversou com o músico e estudante universitário de produção musical, Sabeth Quarenta.

O perito em produção musical refere que existem vários erros de produção, começando pela qualidade sonora, o que em produção musical é muito importante. Assim, conta, quando temos um som com ruído, ainda que tiver uma boa mensagem, uma boa qualidade de instrumentalização, uma boa qualidade vocal, porém, se não tiver uma boa sonoridade de nada serve. “Todo o receptor quer uma música, limpa, e também do ponto de vista de audição saudável, uma música com ruído pode afectar a nossa audição. Por isso é que temos de ter um volume do instrumental equilibrado, uma voz equilibrada.

Sabe-se que a música é a combinação de sons, mas essa combinação tem de ter o volume no seu respectivo nível”, explicou. Se houver, por exemplo, uma regra geral que diga que devem ser 10 Db (Decibéis), o equilíbrio mantém- se, até na música. Se houver um bit (instrumental) muito alto e a voz muito baixa, percebe-se, segundo o artista, que a música está sem qualidade. “Quando nós ouvimos uma orquestra sinfónica, percebemos que nenhum som está mais alto que o outro. Há vezes em que toca um instrumento de forma isolada, mas se fizer com outro há harmonia sonora”, referenciou.

Curso de Produção Musical

“Surge a necessidade da implementação do curso de Produção Musical em Angola, devido à grande procura de pessoas mais interessadas neste mundo e da própria indústria musical, que cada vez mais vai se desenvolvendo”, defende o também rapper. A Produção Musical angolana evoluiu muito. Segundo Sabath Quarenta, Angola já produziu músicas com alta qualidade. “Particularmente falando, os grandes produtores, pessoas que já estão há muito tempo nesse mundo, cometem erros básicos. Penso que, quem trabalha espera errar. Muitos erros passam despercebidos”, ressaltou.

Muitos produtores angolanos começaram a produzir informalmente, por falta de uma formação em produção musical. Não é de todo mau ser um produtor sem antes passar por uma escola, mas há essa necessidade devido à dinâmica das novas tecnologias, que também são predominantes neste sector. Para Sabath é igualmente importante que haja mais universidades de arte a leccionar o curso de Música e de Produção Musical. “Cá, só temos uma universidade: o ISARTE. Mas aí não temos o curso de Produção Musical. Só temos o de canto lírico”, lamentou.

Perfil

Sabata Quissongo Quarenta é um cantor e produtor musical de 24 anos de idade. Natural de Benguela, desde criança sempre gostou de cantar. E no mundo da Produção Musical está há cerca de dez anos. Começou a produzir na sua terra natal, onde teve os primeiros contactos com softwares de produção. Enquanto miúdo já lhe interessava ouvir SSP, Black Company, Boss AC, Gutto. Foi aí onde nasceu a paixão pela música como tal. Mesmo na igreja já fazia música clássica. Então sempre que saísse à rua ouvia outros estilos, coisa que o cativou bastante. Recentemente esteve a frequentar o curso de Produção Musical na Itália, entretanto teve de parar devido à falta de divisas. Possui um EP, intitulado “Lookin To My Eyez”, composto por dez faixas musicais, das quais duas são adicionais.