RESEARCH Atlantico: “As Perspectivas sobre a Evolução do Preço do Petróleo em 2019”

O exercício de previsão da evolução dos mercados é complexo. As projecções mais optimistas de alguns analistas sobre a evolução do preço do Brent de há seis semanas apontavam para um nível de 100 USD/barril em 2019. As expectativas eram suportadas por uma confluência de factores desde a redução da produção na Venezuela, as projecções de aumento da procura do petróleo em 2019 - acima da barreira psicológica dos 100 milhões de barris/dia - e as expectativas do impacto das sanções impostas pelos EUA ao Irão, fundamentalmente. Entretanto, a nova tendência tem-se mostrado contrária

POR: Atlantico

A tendência de queda do crude é acompanhada pelo preço das outras 45 principais commodities, que na perspectiva da desaceleração da economia mundial e da apreciação do dólar norte-americano, começam a condicionar a procura das mesmas. Assim, a confirmação da desaceleração da economia mundial, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no relatório de Outubro, com a revisão em baixa (-0,2 p.p. para 3,7% em 2019), aliada às tensões comerciais, as incertezas do Brexit e a normalização das políticas monetárias das principais economias, poderão condicionar o desempenho das commodities, como um todo.

Por outro lado, e especificamente para o preço do Brent – referência para as exportações de Angola -, a entrada em vigor das sanções dos EUA aplicadas ao Irão, há 5 de Novembro, goraram as expectativas dos investidores, ao verem alguns países serem excluídos de potenciais sanções na eventualidade dos mesmos importarem o crude iraniano. Com efeito, as expectativas que impulsionaram os preços para 86 USD/barril em Outubro, foram corrigidas para os actuais níveis, abaixo dos níveis de Setembro de 2017, em 70 USD/barril. Por esta razão, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) procurou manter a sua quota de produção, (+1,2 milhões de barris/dia) com o intuito de compensar a potencial retirada da produção do Irão que estava avaliada entre 700 mil e 1,2 milhões barris/dia.

Dados de fontes secundárias divulgados pela OPEP, demonstram que a oferta mundial de petróleo aumentou 1,87 milhões barris/ dia desde Maio, ao situar-se em 99,76 milhões de barris/dia em Novembro. Paralelamente, a procura caiu em 60 mil barris/ dia para 98,79 milhões barris/ dia. Outrossim, as reservas de petróleo, segundo os analistas da Agência Internacional de Energia (AIE), atingiram níveis recordes verificados apenas em 2015, com um incremento de 58,1 milhões barris/dia, na OCDE. Assim, as reduções dos preços apuradas em Outubro, de 8,76% para 75,47 USD/barril, e em Novembro, de 22,21% para 58,71 USD/barril, reflectem os desequilíbrios apurados no mercado e a correcção das expectativas dos investidores.

O facto que poderá inverter a tendência segundo os analistas da OPEP citados pela Bloomberg será a remoção dos excessos de oferta avaliados em 1,3 milhões de barris/dia. Destaca-se que em termos acumulados as perdas só são comparadas às quedas de 30% (86 USD para 58 USD/ barril) registadas em Outubro de 2008. O actual desempenho dos preços é do interesse de países importadores que vêm na redução da cotação do crude uma possibilidade de moderação na normalização das políticas monetárias de modos a sustentar o crescimento da economia. Os analistas da Capital Economics estimam que cada redução de 10 USD nos preços do petróleo aumenta a renda em cerca de 0,5% a 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) dos principais países importadores de petróleo dos mercados emergentes. A mesma redução causa uma perda de 3% a 5% do PIB na maioria das economias do Golfo, e uma desaceleração entre 1,5% e 2% do PIB nos Emirados Árabes Unidos, Rússia e Nigéria. Contudo, os analistas do Banco Goldman Sachs sustentam que os actuais níveis de preços apresentam-se insustentáveis, e prevêem aumentos no pre