Director artístico quer que sua obra de ficção se torne objecto de estudo

Na obra constam excertos das edições do Prémio Teatro Cidade de Luanda e homenagens aos actores e grupos teatrais pelo contributo nas artes cénicas

O director artístico, Osvaldo Moreira, quer que a sua obra de ficção intitulada “Quando a pretendida não se define e a ex ainda é um Fantasma” se torne objecto de estudo para estudantes do curso de artes. O romance, composto por três capítulos”, foi lançado na Segunda-feira, 3, no Camões/ Centro Cultural Português,em Luanda, e resgata memórias do autor sobre algumas edições do Premio Teatro Cidade de Luanda, que teve início em 1998 até 2010. Na obra, constam excertos das edições do prémio que considera marcante, os grupos concorrentes, o valor atribuído, das incertezas sobre a sua realização e sobre a avaliação do corpo de jurado.

Em conversa com este jornal, Osvaldo Moreira avançou que tem sido muito soliticado pelos estudantes do Instituto Superior de Artes, para saber sobre o prémio, dados estes que constam no livro. “As pessoas conhecem pouco sobre a história do prémio. Trazemos aqui aqueles que foram os vencedores, desde o seu arranque até à ultima edição. Foram 12 anos, mas apenas 11 edições aconteceram. A partir deste livro as pessoas terão uma bibliografia do teatro angolano, porque muitos vêem o nosso momento e não conhecem a nossa trajectória”, considerou o autor. O director artístico realçou que o referido prémio foi o que mais promoveu o teatro no país, motivo pelo qual considera fundamental a sua divulgação, de modos a dar a conhecer aos mais novos o seu relevo, assim como o percurso dos grupos premiados.

Homenagem

Neste livro, composto por 120 páginas, Osvaldo Moreira presta ainda homenagem ao encenador e director artístico , Walter Cristóvão, pelo espectáculo teatral intitulado “Rostos de Loanda”, bem como ao actor Quim Fasano, pela interpretação da personagem João Moleta na referida peça. O autor invoca ainda figuras incontornáveis do teatro no país, como Adelino Caracol, Beto Cassua, Africano Kangombe, Agostinho Cassoma, entre outros. Faz ainda uma abordagem sobre o reinado, afirmação e sucessos dos grupos Julu, Miragem Teatro, Henrique Artes, Kulonga e Pitabel. Segundo o também encenador, por se tratar do seu primeiro livro, objectivou que as personagens fossem pessoas que estivessem ligadas a si, profissionalmente. “Por isso peguei no nome dos actores que trabalharam comigo de forma directa para o livro, assim como os directores e encenadores. Não queríamos fazer disto apenas um livro histórico, que retratasse apenas cenas do prémios”, explicou Osvaldo.

O autor

Osvaldo Moreira, “O Leu”, iniciou-se no teatro em 1998. É formado em Ciências de Educação pelo ISCED de Luanda, na opção de Psicologia. Ganhou notoriedade no mundo do teatro, como actor, encenador e director artístico, durante os quase 10 anos em que esteve no grupo Diassonama. Ganhou o galardão de melhor actor do Prémio de Teatro Cidade de Luanda em 2009, o prémio de melhor encenação do FESTECA em 2012 e, em 2017, foi vencedor do honroso Prémio Nacional de Cultura e Artes na categoria de teatro. Autor de várias obras de teatro, foi ainda secretário-geral da Associação Angolana de Teatro entre 2007 e 2011 e lidera uma das maiores produtoras de teatro angolano, a Actos & Cenas, que fundou em 2014.