Importação de bacalhau em queda por falta de divisas

Se em 2017 a importação de bacalhau por parte da principal fornecedora do mercado nacional – RiberAlves situou-se em 70%, este ano reduziu ainda mais. Sem precisar quantidades, José Luís, o gestor da empresa, avança que a falta de divisas está na base do problema

Numa altura em que se aproxima a quadra festiva, muitos centros comerciais estão preocupados em atestar as prateleiras para atender à procura em relação aos produtos da cesta básica e produtos de época, como é o caso do bacalhau. Entretanto, a empresa que se dedica à importação e comercialização deste produto, enfrenta dificuldades de vária ordem, com realce para a aquisição de divisas, como sublinha José Luís, gerente da firma.

A principal causa, segundo José Luís, está relacionada com a escassez de divisas que ainda persiste no país, e que afecta o processo de importação de bens de consumo e não só. “Este ano temos menos bacalhau comparativamente ao ano passado”, disse, sem precisar quantidades, sublinhando que é preciso fazer-se uma contagem pormenorizada para se saber qual é o défice comparativamente aos outros anos. Mas avança que os preços variam de 14 a 100 mil Kwanzas, dependendo da quantidade do produto. O gestor faz saber ainda que “os níveis de procura também baixaram.

As pessoas optam por outros produtos. Temos conseguido satisfazer os nossos potenciais clientes”, disse, acrescentando o bacalhau comercializado pela Riber Alves pode ser encontrado nos diversos centros comerciais de Luanda e não só. “Luanda, Malanje, Benguela e Lobito são as regiões para as quais comercializamos bacalhau”, explica, ressalvando que a venda nos armazéns da empresa é livre. Em 2015, no auge da crise, a empresa enfrentou inúmeras dificuldades, tendo em conta a desvalorização do Kwanza e a falta de divisas para comprar o bacalhau. Em 2017, por esta altura não estavam asseguradas 20% das necessidades. O bacalhau é um alimento tradicional na mesa das famílias angolanas e não só, durante a ceia de Natal. Todavia, nos últimos tempos essa tradição tem sido substituída por peixe seco.