Secção de cuidados intensivos da maternidade do Moxico inoperante

De acordo com o responsável da unidade hospitalar, a ausência desses serviços, às vezes, dificulta a prossecução de outros aí existentes

O director clínico da Maternidade Provincial do Moxico, Idanilson Malassa, revelou a OPAÍS que alguns sectores do estabelecimento de saúde que dirige, como são os casos dos Cuidados Intensivos e Pneumatologia não funcionam, por falta de técnicos especializados. “Em relação aos serviços, nós estamos com dificuldade de pessoal, porque somos apenas sete, o que não corresponde à exigência daquilo que se precisa num hospital deste calibre”, desabafou o director, realçando que a falta desses especialistas de saúde remete os pacientes a procurarem os referidos serviços em outras províncias ou na República da Namíbia.

O responsável informou que a inoperatividade dos serviços e a carência de técnicos das áreas em causa é do conhecimento das instâncias superiores da província, que, segundo ele, já prometeram inverter o quadro nos próximos tempos. Refira-se que a maternidade local existe há quatro anos e possui serviços regulares na sala de banco de urgência, partos ou bloco operatório, sala de cirurgia e nas áreas de internamento, designadamente de genecologia, cirurgia, obstetrícia e puerpério.

Adiantou que, como era de esperar, os partos constituem os casos mais frequentes, sendo que os outros se resumem em indicativos de gastroenterites, além de, nas inter-ocorrências obstétricas, haver os sub-descolamentos prematuros e as rupturas uterinas”, explicou o médico, tendo classificado a ultima situação como frequente, pelo facto de nesta região de Angola se optar ainda pelos partos caseiros. Os descolamentos da placenta e a placenta prévia, entre outros incidentes relativos às complicações antes, durante e depois do parto também foram invocados pelo director clínico como casos que aparecem no hospital. “Pessoas de todas as idades procuram os nossos serviços, porque nos serviços de genecologia nós temos aqueles casos que resultam em mudança de colo ou de ovário, embora para as idades médias se registem os tumores bendignos, designadamente miomas, os quistos de ovários, entre outros”, acrescentou.

Idanilson Malassa assegurou que as mulheres aderem às consultas pré-natais, mas sublinhou que o grande embaraço consiste no facto de elas começarem um pouco tarde, um problema cuja causa o médio atribui ao alegado nível de vida baixo, já que, às vezes, as grávidas e parturientes alegam mesmo não ter dinheiro para pagar os táxis. “Por causa disso, há outras, com as mesmas dificuldades, que preferem sacrificar-se nos primeiros períodos da gravidez para conseguirem o cartão de consultas pré-natais, de modo a terem acesso a tratamento, e depois abandonam temporariamente o hospital”, relatou o entrevistado, assegurando que, normalmente, as mesmas voltam a aparecer depois da décima segunda semana.

Primeira-dama reaviva expectativas

Na ocasião da visita que a Primeira-dama de Angola, Ana Dias Lourenço, efectuou, recentemente, à Maternidade Provincial do Moxico, o corpo médico local informou-a sobre as dificuldades por que passam diariamente para atenderem os pacientes. Dela, receberam encorajamento e voto de confiança na missão, além de garantias para fazer chegar as preocupações aos órgãos de direito, a fim de se resolverem os problemas básicos. Entretanto, os enfermeiros afectos à maternidade anunciaram que, por dia, nesse estabelecimento de saúde se realizam, em média, 20 ou mais partos. Ainda assim, os técnicos estimaram os atendimentos diários entre sete e 15 pacientes, já que a maior parte das mulheres grávidas chegam à referida unidade hospitalar com urgência.