de quem é a culpa?

Carolina Joaquim de Sousa e Silva, advogada que tinha sido uma estudante brilhante, está morta. As notícias indicam o marido como sendo o autor da morte, com contornos horríveis de frieza e calculismo. Se for verdade, ele não é uma boa pessoa. Teve a coragem de dormir em casa da mãe dela enquanto se procurava pela mulher, foi com a Polícia até ás morgues e acompanhou outras diligências. Mas não é caso único, infelizmente. Se for verdade que ele é mesmo o culpado, porque a Polícia, embora o tenha detido, ainda não o acusou formalmente, estaremos uma vez mais confrontados com uma realidade para a qual não se pode inventar desculpas: o amor está gravemente ferido em Angola, talvez ferido de morte. São muitos os casos de assassínios de mulheres pelos homens que elas amavam e que, supostamente, as amavam também. Mas, como diz o povo, amor não mata. Poder-se-ia chamar a tudo isso crimes passionais, mas a frequência com que acontecem em Angola e, sobretudo entre gente jovem, talvez estejamos perante uma praga, ou uma pandemia. Basta olharmos para os casos relatados nos últimos sete anos, pelo menos. Falhou a educação? A escola, os processos de socialização? As referencias sociais e culturais? Que tipo de angolanos temos agora? Que valores se cultivam no nosso país? As igrejas, vê-se, não têm efeito algum ante os valores que se levantam mais alto na nossa sociedade. Está na hora de se olhar para este assunto com olhos de ver, não há classe social que escape. A violência contra a mulher, e mesmo a delas contra os companheiros tem, infelizmente, sempre um “fez o quê para merecer”? como se qualquer acto de violência fosse alguma vez um merecido castigo. O sentido da análise deve ser outro. E há que perguntar: que tipo de gente está este país a gerar?