Livro sobre “Percursos da Luta de Libertação Nacional” é apresentado hoje em Luanda

Os escritos “Percursos da Luta de Libertação Nacional-Viagem ao Interior do MPLA, Memórias Pessoais” são de autoria de Hugo Azancot de Menezes, médico e co-fundador do MPLA

O livro com 304 páginas “Percursos da Luta de Libertação Nacional – Viagem ao Interior do MPLA, Memórias Pessoais”, de Hugo Azancot de Menezes, chega hoje à disposição dos leitores, em acto a decorrer, a partir das 18 horas, no Espaço Luanda Arte, na baixa de Luanda. Trata-se de uma biografia oficial de Hugo Azancot de Menezes, um documento importante, que vem contribuir para a compreensão da luta de libertação do povo angolano, com enfâse na génese e evolução do MPLA. Com organização, preâmbulo e notas do historiador Carlos Pacheco, este livro reúne um conjunto de textos escritos por Hugo Azancot de Menezes que ilustram o que foi a luta de libertação angolana contra o jugo colonial português.

Em nota a que OPAÍS teve acesso, pode ler-se que o testemunho do autor, abrange momentos da história tão marcantes como o da organização do Movimento de Libertação dos Territórios Africanos sob Domínio Português (MLTADP), constituídos por refugiados políticos da Guiné-Bissau e de cujo Bureau Directivo fez parte; a fundação do MPLA, em Tunis e Conakry, em que participou decisivamente, sendo um dos seis membros do primeiro Comité Director do MPLA. Já nos anos 70, o livro aborda o período conturbado da génese da Revolta Activa. Finalmente, o período a seguir à independência, com todas as contradições inerentes ao novo país. São muitas as histórias, algumas inéditas, jamais narradas por outros intervenientes que surpreendem e chocam neste livro.

A obra assume-se como uma viagem pela história da resistência angolana e pelo interior do MPLA, tem organização, fixação e revisão do texto, preâmbulo, notas e comentários do historiador angolano Carlos Pacheco, que, no preâmbulo, escreve: “Azancot entendia ser necessário, pelos caminhos da memória, responder com a verdade da sua experiência militante, sem concessões, por ser o melhor contributo a prestar às futuras consciências colectivas, ajudando-as a defender-se de contradinovas utopias fundamentalistas e de novos fanatismos”, lê-se no preâmbulo.

O autor

Hugo Azancot de Menezes nasceu em São Tomé e Príncipe a 2 de Fevereiro de 1928 e viveu a infância em Angola. Após a sua formatura em Lisboa expatriou-se em Londres, onde selou boas relações pessoais com distintos dirigentes do Committe of African Organisations. Estabeleceu-se na Guiné-Conacri, em 1959, e ali ajudou a organizar o Movimento de Libertação dos Territórios Africanos sob Domínio Português (MLTADP). Do mesmo modo ajudou a criar as condições necessárias à instalação do FRAIN (ex-MAC) em Conacri.

Em Túnis, contribuiu para a fundação do MPLA e integrou o seu quadro de militantes com o estatuto de membro do Comité Director. Em 1968 António Agostinho Neto ofereceu-lhe o posto de responsável dos Serviços de Assistência Médica na II Região Político-Militar (Cabinda). Ao fim de quatro anos renunciou ao cargo e beneficiou da protecção do PNUD, em Brazzaville. Em 1974, aderiu ao grupo de contestação interna do MPLA, denominado Revolta Activa, que criticava o génio imperioso e autocrático de Neto na condução do Movimento. Depois da independência de Angola requereu o vínculo de cidadania ao novo Estado e aceitou dirigir o Hospital Central de Luanda. Faleceu a 1 de Maio de 2000, em Portugal.