Projecto de desenvolvimento agrícola avaliado em USd 230 milhões

Projecto de desenvolvimento agrícola avaliado em USd 230 milhões

POR: Iracelma Kaliengue

O projecto apresentado e analisado ontem por especialistas será executado em duas fases com duração de 6 anos, e conta com o financiamento do Banco Mundial (BM), com 130 milhões, e pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), com USD 100 milhões tem como objectivos aumentar a produtividade e melhorar os acessos dos produtos do campo aos mercados, tendo em vista o fomento do agro-negócio O projecto terá quatro componentes, sendo a primeira o desenvolvimento do agro-negócio, avaliado em USD 80 milhões, divididas em USD 55 milhões para apoio à produção e comercialização agrícola e USD 25 milhões para apoio às garantias parciais de crédito.

O segundo eixo está avaliado em USD 100 milhões, que servirão para o desenvolvimento e melhoria das infra-estruturas, particularmente para melhoria de estradas rurais, canais de irrigação e de energia da rede pública. Já o terceiro eixo está ligado à melhoria do ambiente de negócio e fortalecimento institucional, avaliado em USD 35 milhões e, por último, a componente quatro sobre gestão, monitorização e avaliação do projecto, orçado em USD 15 milhões. Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Carlos Alberto Jaime Pinto, a iniciativa vai permitir o aumento da produtividade, o acesso aos mercados, e vai apoiar a diversificação da economia, ajudar a gerar receitas e a promover o surgimento de um agro-negócio sustentável. Disse ainda, na sua intervenção, que a primeira fase poderá abarcar as zonas com potencial agrícola das cadeias de valor das províncias de Malanje, Cuanza- Norte e Cuanza-Sul, enquanto a segunda compreenderá as províncias do Huambo, Bié, Uíge, Bengo, Benguela, Luanda e Huíla.

O secretário de Estado disse também que o projecto visa estrategicamente criar 7 mil postos de emprego. Já o director do Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial, Altemiro Jorge Ceita Diogo, afirmou que o projecto é um dos principais do Ministério da Agricultura e Florestas para permitir a transição da agricultura de subsistência para a actividade comercial de forma a elevar a capacidade de produção e distribuição dos produtos. Afirmou, entretanto, que os critérios de selecção dos agricultores são as condições agro-climáticas favoráveis ao cultivo do café, milho, soja, feijão e outros produtos, como amendoim, frutas e vegetais, assim como a criação de aves e gado.

Declarou também que nas zonas de implementação do projecto, serão criadas infra-estruturas de produção e comercialização para o fortalecimento e melhoria do ambiente de negócios, tendo em conta as vantagens comparativas na cadeia de valores das culturas de milho, feijão, soja e de café e a produção de frangos e ovos. Explicou que a agricultura comercial é um sector emergente em Angola com elevado potencial, oportunidade e procura. Tendo afirmado que o projecto proposto deverá dar um forte contributo para a agenda de diversificação económica do Governo. Além da assistência técnica e do apoio financeiro aos agricultores elegíveis e às PME do sector das agro-indústrias. Por sua vez, o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, disse que o projecto é bem-vindo e que, a par da importância dos produtos alimentares, deve-se privilegiar a produção de produtos tradicionais regionais, como o algodão, o tabaco, a agricultura familiar e outras áreas fundamentais para o desenvolvimento agrícola.