Projecto de desenvolvimento agrícola avaliado em USd 230 milhões

Pelo menos 230 milhões de dólares serão investidos no Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial (PDAC), lançado pelo governo angolano ontem, 05, em Luanda, com fi nanciamento do Banco Mundial e a Agência Francesa de Desenvolvimento

POR: Iracelma Kaliengue

O projecto apresentado e analisado ontem por especialistas será executado em duas fases com duração de 6 anos, e conta com o financiamento do Banco Mundial (BM), com 130 milhões, e pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), com USD 100 milhões tem como objectivos aumentar a produtividade e melhorar os acessos dos produtos do campo aos mercados, tendo em vista o fomento do agro-negócio O projecto terá quatro componentes, sendo a primeira o desenvolvimento do agro-negócio, avaliado em USD 80 milhões, divididas em USD 55 milhões para apoio à produção e comercialização agrícola e USD 25 milhões para apoio às garantias parciais de crédito.

O segundo eixo está avaliado em USD 100 milhões, que servirão para o desenvolvimento e melhoria das infra-estruturas, particularmente para melhoria de estradas rurais, canais de irrigação e de energia da rede pública. Já o terceiro eixo está ligado à melhoria do ambiente de negócio e fortalecimento institucional, avaliado em USD 35 milhões e, por último, a componente quatro sobre gestão, monitorização e avaliação do projecto, orçado em USD 15 milhões. Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Carlos Alberto Jaime Pinto, a iniciativa vai permitir o aumento da produtividade, o acesso aos mercados, e vai apoiar a diversificação da economia, ajudar a gerar receitas e a promover o surgimento de um agro-negócio sustentável. Disse ainda, na sua intervenção, que a primeira fase poderá abarcar as zonas com potencial agrícola das cadeias de valor das províncias de Malanje, Cuanza- Norte e Cuanza-Sul, enquanto a segunda compreenderá as províncias do Huambo, Bié, Uíge, Bengo, Benguela, Luanda e Huíla.

O secretário de Estado disse também que o projecto visa estrategicamente criar 7 mil postos de emprego. Já o director do Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Comercial, Altemiro Jorge Ceita Diogo, afirmou que o projecto é um dos principais do Ministério da Agricultura e Florestas para permitir a transição da agricultura de subsistência para a actividade comercial de forma a elevar a capacidade de produção e distribuição dos produtos. Afirmou, entretanto, que os critérios de selecção dos agricultores são as condições agro-climáticas favoráveis ao cultivo do café, milho, soja, feijão e outros produtos, como amendoim, frutas e vegetais, assim como a criação de aves e gado.

Declarou também que nas zonas de implementação do projecto, serão criadas infra-estruturas de produção e comercialização para o fortalecimento e melhoria do ambiente de negócios, tendo em conta as vantagens comparativas na cadeia de valores das culturas de milho, feijão, soja e de café e a produção de frangos e ovos. Explicou que a agricultura comercial é um sector emergente em Angola com elevado potencial, oportunidade e procura. Tendo afirmado que o projecto proposto deverá dar um forte contributo para a agenda de diversificação económica do Governo. Além da assistência técnica e do apoio financeiro aos agricultores elegíveis e às PME do sector das agro-indústrias. Por sua vez, o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, disse que o projecto é bem-vindo e que, a par da importância dos produtos alimentares, deve-se privilegiar a produção de produtos tradicionais regionais, como o algodão, o tabaco, a agricultura familiar e outras áreas fundamentais para o desenvolvimento agrícola.